Após a caótica travessia da tocha olímpica dos jogos de Pequim por Paris, os países que irão receber a chama, entre eles os Estados Unidos e a Argentina, reforçaram as medidas de segurança para evitar que o percurso seja outra vez perturbado por militantes pró-Tibete.

Para a etapa de São Francisco na quarta-feira, o prefeito Gavin Newsom previu uma forte presença policial e "uma adaptação" permanente do trajeto da tocha conforme o desenrolar dos acontecimentos: "o itinerário não está fixado. O percurso continuará a ser alterado todo o tempo até a chama passar", afirmou.

Por temor de incidentes, o bairro de Chinatown foi excluído do percurso.

Na noite de segunda-feira, militantes escalaram a famosa ponte de Golden Gate para pendurar bandeiras pró-Tibete.

Os incidentes de Londres, no domingo, e de Paris, na segunda, alimentaram discussões sobre a oportunidade de uma revisão do percurso da tocha pelo mundo (130.000 kms em mais de 20 países), antes dos Jogos Olímpicos em agosto.

Contudo, Jacques Rogge, presidente do Comitê Internacional Olímpico (COI), assegurou nesta terça-feira, para a rede pública de televisão France 3, que essa possibilidade não existe. "É um rumor falso", afirmou.

As autoridades de Pequim têm que prosseguir o seu caminho: "nenhuma força" poderá fazer parar a tocha, afirmou o Bocog, o Comitê organizador chinês. A China anunciou, nesta terça-feira, que militantes pró-Tibete eram os responsáveis pela "sabotagem" da etapa de Paris e pediu calma aos moradores de São Francisco, para que possam "mostrar o seu amor à paz e aos Jogos".

Para garantir a segurança da chama, as autoridades de Buenos Aires, onde a tocha irá passar na sexta-feira após São Francisco, mobilizarão 1.200 policiais além dos 3.000 funcionários municipais e voluntários.

O ex-jogador de futebol Diego Maradona será o primeiro a levar a chama, que atravessará a capital argentina, e a ex-tenista Gabriela Sabatini será a última. Contudo, já se espera que manifestantes protestem, para pedir um boicote dos Jogos de Pequim devido às violações dos direitos humanos e à repressão ao Tibete.

A Índia, outra etapa de risco, decidiu encurtar o itinerário previsto de 17 de abril em Bombaim, para 3 quilômetros em vez dos 9 iniciais, temendo protestos da grande comunidade de exilados tibetanos (200.000 membros).

A Austrália, onde a chama passará em 24 de abril em Camberra, reforçou igualmente o seu dispositivo de segurança.

O primeiro-ministro Kevin Rudd assegurou que os serviços de segurança da China, "os guardiões da chama" de terno azul, não desempenharão nenhum papel na proteção da tocha em Camberra.

A mesmo posição foi tomada pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Índia, Anand Sharma, para quem o país "é capaz de assegurar a segurança".

Outras cidades onde a tocha irá passar, como Jacarta, na Indonésia, Nagano (Japão) e Hong Kong, por exemplo, já afirmaram que irão rever a segurança do percurso.

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