Países podem perder 19% do PIB em adaptação ao aquecimento, diz estudo

As mudanças climáticas podem abocanhar até 19% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países afetados por calamidades meteorológicas no ano de 2030, de acordo com um estudo patrocinado pelas Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira. O relatório Modelando um Desenvolvimento Resistente ao Clima do Grupo de Trabalho para a Economia de Adaptação ao Clima, que reúne diversas instituições e tem financiamento da ONU, afirma que entre 40% e 68% das perdas econômicas previstas podem ser evitadas aplicando-se imediatamente medidas de adaptação já existentes.

BBC Brasil |

O documento apresenta ainda uma metodologia para calcular o custo da adaptação em qualquer país, que foi aplicada aos casos da China, Estados Unidos, Guiana, Mali, Grã-Bretanha, Samoa, Índia, e Tanzânia.

"Os países precisam planejar a sua adaptação com muito mais rigor, objetividade e urgência do que foi feito até aqui", afirma o economista britânico Nicholas Stern no prefácio do estudo.

"Devemos às populações mais vulneráveis do planeta reunir o melhor apoio possível para reforçar a sua capacidade de adaptação."
Entre as soluções "boas, bonitas e baratas" para adaptação às mudanças climáticas propostas no documento de 147 páginas estão melhorias no sistema de drenagem e escoamento de águas, a construção de barreiras para o mar e regulamentações mais rígidas para construções.

Entre os países estudados pelo grupo de trabalho, o mais afetado pelo aquecimento global seria a Guiana, que perderia 19% do seu PIB anual em 2030 para enfrentar as graves consequências de enchentes.

Mau tempo à vista
Já o Estado americano da Flórida, vulnerável a furacões e tempestades, perderia 10% do seu PIB por causa do mau tempo em 2030.

De acordo com o relatório, o aumento na atividade de furacões e tempestades deverá aumentar as despesas com este tipo de problemas em cerca de US$ 33 bilhões por ano em 2030.

O grupo de trabalho que produziu o documento é composto pela ONU, pela seguradora Swiss Re, pela consultoria McKinsey & Company, pela rede ambiental ClimateWorks, pela Comissão Europeia, pela Fundação Rockefeller, e pelo banco Standard Chartered.

O estudo foi divulgado menos de três meses antes da conferência da ONU sobre o clima, que acontece em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. A conferência deve discutir um substituto para o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de redução dos gases causadores do efeito estufa e é válido até 2012.

O financiamento da adaptação às mudanças climáticas nos países mais pobres do mundo também deve ser um dos principais temas do encontro.

Há algumas semanas, outro estudo afirmou que os custos de adaptar o planeta às mudanças climáticas provavelmente serão duas a três vezes mais altos que os previstos pela Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) em 2007.

O estudo acadêmico realizado pelo Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED, na sigla em inglês) diz ainda que o custo total pode subir muito mais se forem levados em conta os impactos de outras atividades humanas.

Em 2007, a convenção da ONU sobre clima estimou o custo de adaptação à mudança climática no ano 2030 entre US$ 49 bilhões e US$ 171 bilhões por ano. Bem mais que a metade desse valor teria de ser aplicado em países em desenvolvimento.

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