Os países ricos precisam fornecer cerca de 130 bilhões de dólares por ano até 2030 para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com a mudança climática, o que representa o quíntuplo do valor atual, disse o grupo ambientalista WWF na quarta-feira. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/08/27/gelo_artico_atinge_segundo_menor_nivel_da_historia_1603105.htmlGelo ártico atinge segundo menor nível da história

Um estudo da entidade mostrou que há 16 fundos, mantidos por agências da ONU, o Banco Mundial e outros, canalizando dinheiro para que os países pobres controlem suas emissões de carbono e se adaptem aos efeitos do aquecimento global.

Mas a grande preocupação é com a África, o continente mais pobre e um dos mais suscetíveis à mudança climática, e que recebe pouco dinheiro para projetos nesse setor - tendência que pode se agravar com a criação de fundos fora da gestão da ONU.

"Atualmente há algo como 25 bilhões de dólares disponíveis para os países em desenvolvimento", disse Donald Pols, diretor de finanças internacionais do WWF. "A necessidade estimada em 2030 seria de cerca de 130 bilhões de dólares por ano. Ainda há uma lacuna de 105 bilhões", disse ele à Reuters. "Só uma pequena fração está indo para a África".

Os dados usados no estudo de Pols se baseiam em cálculos do Instituto Wuppertal, da Alemanha.

A maior parte da verba vem do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, da ONU, pelo qual os países ricos podem investir em projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa nos países em desenvolvimento. Em troca, recebem créditos para as suas próprias emissões domésticas.

Mas Pols disse que a maior parte dos projetos financiados fica em países de médio desenvolvimento, como Brasil, Índia e China.

Ele acha positivo que haja mais fundos não-ligados à ONU, mas alerta que "há um perigo de que o processo da ONU seja deixado de lado em detrimento do dinheiro vivo". Na opinião dele, as empresas preferem não investir na África porque os países de lá, mais pobres, emitem menos carbono.

"A África tem voz no sistema da ONU. A África não tem voz no mercado", disse ele. Dos 16 fundos, 14 foram criados nos últimos 18 meses.

Pols disse que, para cada 24 dólares destinados a combater as emissões, só 1 dólar vai para medidas de mitigação dos impactos climáticos.

"Na África, o tipo de projeto que tem de ser financiado é de acesso à água, agricultura, para que seja possível produzir mais alimentos com menos água", exemplificou.

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