Os países mais pobres estão desarmados para enfrentar a crise econômica mundial, que deverá entre outras coisas aumentar as taxas de mortalidade infantil, alertou nesta quinta-feira o Banco Mundial em um relatório enviado aos países ricos do G7.

"Estimativas preliminares para o período 2009-2015 mostram que em média de 200.000 a 400.000 crianças poderão morrer por ano se a crise persistir, ou seja um total de 1,4 a 2,8 milhões", afirmou a instituição multilateral, na véspera da abertura da reunião em Roma dos ministros das Finanças e dos presidentes dos bancos centrais dos sete países mais industrializados.

"As novas estimativas para 2009 mostram que a desaceleração da taxa de crescimento vai jogar na pobreza (menos de 1,25 dólar por dia) 46 milhões de pessoas a mais do que prevíamos antes da crise", indicou o Banco Mundial.

"Outros 53 milhões vão ficar abaixo dos 2 dólares por dia. Isso se soma às de 130 a 155 milhões de pessoas empurradas para baixo da linha de pobreza em 2008 por causa do aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis", acrescentou a instituição.

O Banco identificou 43 países, dentre os quais 26 africanos, que atravessam ao mesmo tempo "um crescimento que se desacelera" e uma "forte pobreza". Entre estes, "75% tem uma capacidade orçamentária limitada" para enfrentar a crise e "uma necessidade urgente de ajuda para proteger as famílias mais pobres".

"Mesmo que uma grande parte do mundo se concentre nos resgates de bancos e nos planos de relançamento, nós não devemos esquecer que os pobres dos países em desenvolvimento estão muito mais expostos com o enfraquecimento de suas economias. (O assunto) deve estar na ordem do dia", afirmou em um comunicado o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que participará da reunião de Roma.

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