Países pobres concentram quase todo crescimento populacional do mundo

Washington, 19 ago (EFE) - São os países pobres os responsáveis pela quase totalidade do crescimento da população mundial, segundo um relatório divulgado hoje que destacou que o aumento sutil de habitantes nas regiões mais ricas é fruto da imigração.

EFE |

Os dados mais recentes do "Escritório de Referência de População" ("PRB", em inglês) revelaram que, em 2008, a população mundial subiu para 6,7 bilhões de habitantes, sendo que 1,2 bilhão vivia nas regiões mais desenvolvidas e os 5,5 bilhões restantes, nas zonas mais pobres.

Até 2050, acredita-se que esta disparidade aumente ainda mais.

Segundo previsões, 86% dos 9,3 bilhões de habitantes mundiais residiriam em países menos desenvolvidos, enquanto atualmente são 82%.

Como exemplo, o demógrafo do "PRB", Carl Haub, afirmou em entrevista coletiva que apesar de a Itália e a República Democrática do Congo (RDC) terem quase o mesmo número de habitantes -60 e 67 milhões, respectivamente-, em 2050 aumentaria levemente para 62 milhões no primeiro, enquanto no último dispararia para 189 milhões.

Os 191 milhões de imigrantes mundiais contribuíram para aumentar os níveis demográficos de países desenvolvidos, concentrados em sua maioria na Europa, América do Norte e nas regiões da antiga União Soviética.

Atualmente, a China, - com 1,324 bilhão de habitantes-, a Índia - com 1,149 bilhão - e os Estados Unidos -com 304,5 milhões- lideram a lista de países mais populosos.

Estima-se que, em meados deste século, a China vai crescer 8%, cedendo a primeira posição para a Índia, que aumentará seus habitantes em 53%.

Os EUA manterão sua terceira posição na lista, enquanto alguns países registrarão queda demográfica, como a Espanha, que diminuirá sua população em 6%, a Alemanha (13%), a Rússia (22%) e o Japão (25%).

A população da África, que atualmente está crescendo mais rápido do que a de qualquer outra região, representarão 21% dos habitantes mundiais em 2050, em comparação com os 9% registrados em 1950.

Enquanto os europeus optam por ter um ou dois filhos, os africanos subsaarianos têm cinco em média e os asiáticos entre dois e três.

Quanto à mortalidade relacionada ao parto, os dados alertam que uma de cada 22 mulheres morre na África Subsaariana, a mesma relação verificada em aproximadamente 50 países registrados pelas Nações Unidas como muito pobres.

Enquanto isso, nas regiões desenvolvidas, apenas uma de cada seis mil perde a vida dessa forma.

Da mesma maneira, 18% dos habitantes das regiões mais pobres estão desnutridos, já que 35% destas pessoas consomem uma quantidade menor de calorias diárias do que as consideradas como o mínimo para levar uma vida saudável e ativa.

Estes dados sobem para até 60% em muitos dos países de África Subsaariana.

Sobre isso, o analista do "PRB" Richard Skolnik ressaltou que "a educação materna é solução para a nutrição das crianças", e que "os maus hábitos alimentares podem afetar suas capacidades cognitivas, o rendimento escolar, a produtividade como adultos e o desenvolvimento econômico do país".

Outro dado obtido pelo estudo ilustra que, em 2008, pela primeira vez na história, a metade da população mundial vivia em áreas urbanas.

A proporção de residentes urbanos globais subirá para até 70% em meados deste século. EFE ag/bm/db

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