Países pedem explicações à Bolívia sobre mortes de acusados de planejar atentado

Os governos da Croácia, da Hungria e da Irlanda pediram ao ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, explicações oficiais sobre a situação dos supostos extremistas que foram mortos ou presos durante uma operação policial, na semana passada, em um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Eles são acusados de planejar um atentado contra o presidente boliviano, Evo Morales, e outras autoridades do país.

BBC Brasil |

A informação, dada por Choquehuanca, foi publicada, nesta terça-feira, nos jornais El Deber, de Santa Cruz, e La Prensa, de La Paz.

Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Balazs, disse, em Budapeste, que seu governo está disposto a colaborar para esclarecer o caso, mas que "exige" informações das autoridades bolivianas e entende que as mortes estão "vinculadas a assuntos internos da política da Bolívia".

Balazs ressaltou: "Quero expressar minhas dúvidas. (...) por enquanto não temos informações oficiais suficientes para acreditar que as pessoas assassinadas, durante a noite, por um comando policial, preparavam um atentado".

Irlanda e Croácia

O chanceler irlandês, Micheál Martin, disse que solicitará à Bolívia uma "investigação internacional" para esclarecer o caso.

Ele disse à rádio Erbol, de La Paz, que "a situação é muito confusa e existem versões contraditórias sobre o que ocorreu".

O cônsul da Irlanda em Buenos Aires, na Argentina, Derek Lambe, esteve em Santa Cruz de la Sierra no fim de semana, onde conversou, segundo a imprensa local, com policiais da Força Especial da Luta contra o Crime.

Na Irlanda, o vice-chanceler Dick Roche disse ao jornal Independent,de Dublin, que espera uma investigação internacional sobre o caso. O irlandês morto na operação da polícia boliviana tinha 24 anos e, de acordo com Roche, não tinha antecedentes penais.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Croácia, Mario Dragun, disse que o país acompanha o caso, mas que não pediu explicações oficiais.

Choquehuanca, no entanto, disse ter recebido um "pedido formal" de informações da Croácia por meio da embaixada da Bolívia em Lima, no Peru.

Evo Morales

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que é "muito grave" que autoridades dos três países tentem "defender" os supostos extremistas que, afirmou, queriam assassiná-lo.

Morales acrescentou que as instituições destes países não têm autoridade para pedir dados sobre o que ocorreu. "Sou capaz de processá-los, mas não sou jurista".

Morales e o vice-presidente Alvaro García Linera acusaram o grupo de planejar um atentado contra os dois e ainda contra o ministro Juan Ramón Quintana e outras autoridades bolivianas, como o prefeito (governador) de Santa Cruz, o opositor Rubén Costas.

Operação

Durante a operação, na semana passada, a polícia boliviana matou, segundo informações oficiais, o boliviano Jorge Eduardo Rózsa, que morou na Hungria e na Croácia, o romeno de origem húngara Magyarosi Árpád e o irlandês Michael Martin Dwyer.

Na ocasião, a polícia prendeu ainda o boliviano, com nacionalidade croata, Mario Francisco Tadic, e o romeno-húngaro Elöd Tóásó.

Para o governo, eles teriam sido os responsáveis pelo atentado contra a casa do cardeal da Igreja Católica Julio Terrazas, em Santa Cruz de la Sierra, um dia antes da operação policial.

Choquehuanca contou ter respondido aos representantes internacionais que espera resposta do governo para dar os esclarecimentos sobre o que ocorreu.

"Necessitamos que as autoridades nacionais, com a colaboração de organismos internacionais, se possível, possam esclarecer os fatos".

Nesta terça-feira, o prefeito (governador) de Santa Cruz, o opositor Rubén Costas, pediu que organismos internacionais participem das investigações das mortes.

"Denunciamos diante da comunidade internacional que na Bolívia estão violentando perigosamente o Estado de Direito e pedimos a participação de organismos imparciais que participem desta investigação", disse Costas, lendo um comunicado.

Por sua vez, o vice-presidente afirmou que esta suposta célula extremista é só um "tentáculo" de uma organização com uma estrutura "que envolvia pessoas ligadas ao setor empresarial e político".

O gerente-geral da Confederação de Empresários Privados da Bolívia, Andrés Tórrez, pediu que o vice "torne público" os nomes dos empresários aos quais estaria se referindo.

Nesta terça-feira, a agência estatal de notícias ABI (Agência Boliviana de Informações) informou que o governo Morales investiga se os supostos extremistas contaram com a colaboração de ex-militares argentinos.

A ABI informou que autoridades locais já entraram em contato com seus pares da Argentina.

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