Países florestais querem órgão para regular créditos de carbono

Por Svetlana Kovalyova MILÃO (Reuters) - Países que possuem florestas tropicais pressionarão a ONU, durante uma conferência em dezembro na Polônia, a criar um organismo único que coordene o comércio de créditos de carbono para o controle do desmatamento, disse uma funcionária desse grupo de países na terça-feira.

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"Um novo órgão deve ser construído para coordenar iniciativas (para a redução das emissões de carbono resultantes do desmatamento)", disse à Reuters Federica Bietta, vice-diretora da Coalizão para as Nações Florestais, que representa cerca de 40 países, durante uma conferência em Milão.

A coalizão quer incluir o esquema da ONU, chamado Redd ("Emissões Reduzidas do Desmatamento e da Degradação" na sigla em inglês), no tratado global que será definido em 2009 para entrar em vigor em 2013, no lugar do Protocolo de Kyoto.

"Há dinheiro por aí (...), mas os países não sabem onde colocá-lo. Há várias idéias, nem sempre coordenadas, o que é muito confuso", disse Bietta.

Ela disse que a coalizão proporia a criação de tal órgão na conferência de dezembro em Poznan, que foi convocada como parte da Convenção-Quadro da ONU sobre a Mudança Climática.

Bietta disse que o novo órgão deveria ser ligado à Convenção Quadro, a outras agências da ONU e ao Banco Mundial, e que deveria ajudar países desenvolvidos e em desenvolvimento a garantirem a transparência das verbas alocadas.

Essa nova agência promoveria as iniciativas do programa Redd durante três ou quatro anos, até que decole o novo mercado de carbono, que analistas estimam que possa atingir de 10 a 30 bilhões de dólares, segundo Bietta.

"O novo órgão é necessário para preencher a lacuna entre agora e 2012", afirmou ela.

Vinte projetos de redução de emissões florestais de carbono foram reunidos no chamado "Livrinho Redd" (trocadilho com "Livrinho Vermelho"), que será lançado em Poznan (www.littleREDDbook.org).

O desmatamento provoca cerca de 20 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, e a cada ano são destruídos cerca de 13 milhões de hectares de florestas no mundo -- o equivalente à Grécia.

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