Países expressam compromisso com reconstrução do Haiti

Santo Domingo, 18 jan (EFE).- Os países reunidos na cúpula Unidos por um melhor futuro para o Haiti, realizada hoje em Santo Domingo, se comprometeram a promover ações para a reconstrução do país, reforçando a viabilidade e a estabilidade social e econômica.

EFE |

Participaram da reunião, convocada pelo presidente dominicano, Leonel Fernández; o governante haitiano, René Préval; e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entre outros.

Os participantes do encontro decidiram promover a realização de uma conferência internacional cujo objetivo principal será elaborar o Plano Estratégico para a Reconstrução do Haiti. O evento será convocado pela União Europeia (UE) e terá lugar na República Dominicana em abril, segundo Fernández.

A proposta será coordenada por um comitê integrado por Brasil, Haiti, República Dominicana, UE, Estados Unidos, Canadá, México e entidades como a ONU, a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Sua primeira reunião deve acontecer no Canadá já no próximo dia 23.

A reunião terminará em Madri entre os dias 16 e 18 de maio com um encontro entre América Latina e UE, acrescentou Fernández.

Além disso, os signatários da declaração final da reunião de hoje em Santo Domingo decidiram propor ao Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) que estude em sua próxima reunião a criação de um fundo para reconstruir o Haiti levando em conta experiências como a do fundo do Iraque.

Segundo o presidente dominicano, a reconstrução do Haiti custaria cerca de US$ 10 bilhões e consistirá em um programa de cinco anos, no qual o país receberá ajudar para fortalecer suas instituições e sua democracia.

No entanto, alertou que a efetividade da ajuda dependerá de "uma convergência no plano internacional" e de "uma coordenação interna para seu manejo".

O financiamento desses recursos será organizado por um comitê de coordenação da ajuda para a reconstrução do Haiti.

Uma das propostas debatidas na reunião foi o perdão da dívida externa do Haiti, assim como a criação de um fundo especial resultante do pagamento da dívida dos países da América Latina e do Caribe ao Clube de Paris, o que representa US$ 2 bilhões anuais.

Os participantes da cúpula concordaram em apontar que "a fragilidade estrutural" do Haiti "faz da coordenação de esforços uma ferramenta fundamental da comunidade internacional" para conseguir sua reconstrução.

No entanto, esclareceram que a realização das ações a favor do Haiti deve incorporar o Governo e o povo haitianos.

Mais cedo, Préval disse que a ajuda dirigida ao Haiti deve ir além "de curar as feridas" provocadas pelo terremoto.

O presidente haitiano propôs que o acompanhamento da ajuda humanitária destinada ao seu país seja feito a partir da República Dominicana, pela proximidade das duas nações e das iniciativas realizadas nesse sentido por Fernández.

Préval reconheceu que o Haiti já atravessava uma difícil situação antes do terremoto, que a agravou, e por isso pediu à comunidade internacional para que continue com as iniciativas conduzidas em seu país a partir do tremor.

Segundo o presidente haitiano, o terremoto "é um acontecimento", e por isso "não podemos só curar as feridas do terremoto".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que pelo menos 17 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE mf/bba

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