Países europeus do G8 focarão clima e alta de preços em econtro no Japão

José Manuel Sanz Bruxelas, 6 jul (EFE).- A luta contra a mudança climática e a busca de uma resposta coordenada à alta dos preços do petróleo e dos alimentos são duas prioridades dos europeus na próxima cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), a partir de amanhã, no Japão.

EFE |

Apesar de nunca ter existido um subgrupo da Europa dentro do G8 e de os chefes de Estado ou de Governo de Reino Unido, França, Alemanha e Itália terem sempre atuado como representantes de suas respectivas nações, como seus colegas de Estados Unidos, Canadá, Japão e Rússia, há um enfoque comum nesta região do planeta sobre ambos os problemas.

No arquipélago japonês de Hokkaido, a voz da União Européia (UE) estará representada, a rigor, pelo presidente do órgão executivo do bloco, o português José Manuel Durão Barroso, que quer que a reunião do G8 sirva para catalisar a reação de toda a comunidade internacional aos urgentes desafios impostos pelo aquecimento global e a crise dos alimentos.

O presidente rotativo da UE, o francês Nicolas Sarkozy, estará no encontro como representante da França, de modo que o bloco e suas políticas se verão melhor representadas na figura de Barroso.

Segundo algumas fontes, uma das incógnitas da reunião no Japão é quanto à disposição dos Estados Unidos de deixar de condicionar seus movimentos na questão da mudança climática aos compromissos que potências emergentes como Brasil, China e Índia assumirão.

Bruxelas reconhece que houve "bons progressos" em Washington no que diz respeito ao reconhecimento do perigo representado pela mudança climática e pelas causas humanas do aquecimento global. No entanto, até agora, esses avanços não foram "suficientemente ambiciosos".

A este respeito, as fontes do bloco europeu acham que não é um bom sinal o fato de que a reunião paralela do grupo constituído pelas economias emergentes acontecerá quase no fim da cúpula do G8, e não no começo.

O presidente americano, George W. Bush, que está a apenas sete meses do fim de seu mandato, pode continuar se referindo à falta de compromisso das nações em desenvolvimento para se recusar a aceitar metas quantificadas de redução nas emissões de gases causadores do efeito estufa.

Os países da UE estão na vanguarda desse combate e conseguiram o apoio de Japão e Canadá a suas posições.

Há um ano, os 27 países do bloco, com base nas taxas de 1990, se comprometeram a reduzir em 20% suas emissões de C02 até 2020, nível que pode subir para 30% se os demais países industrializados aderirem ao esforço no âmbito de acordo global a ser aprovado até 2009.

As medidas legislativas e os instrumentos para alcançar essa redução, que supõem uma autêntica revolução na base produtiva e energética da Europa, vão ser objeto de uma dura negociação dentro da UE até o fim do ano.

Na opinião de Barroso, o que os líderes do G8 acordarem esta semana será fundamental para dar impulso às negociações sobre mudança climática que ocorrem dentro das Nações Unidas.

No que diz respeito à escalada dos preços do petróleo e dos alimentos, a posição das potências européias é bem menos conclusiva.

Em sua última cúpula, realizada em Bruxelas em 20 de junho, os chefes de Estado ou de Governo do bloco reconheceram sua "preocupação", mas não puderam ir muito além no diagnóstico.

"Trata-se de um fenômeno complexo com inúmeras causas profundas e conseqüências", disseram.

Embora já tenha tomado medidas internas para diminuir a pressão sobre os preços dos alimentos e aliviar a situação dos que mais sofrem com a alta do preço dos combustíveis, a UE concorda que as soluções só poderão ser "estruturais" e "globais".

Com base nesse consenso, segundo as conclusões da última cúpula da UE, todo o bloco se comprometeu a "promover uma resposta internacional mais coordenada e mais a longo prazo à atual crise dos alimentos, especialmente na ONU, nas instituições financeiras internacionais e no âmbito do G8", destacam . EFE jms/sc

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