Países em desenvolvimento receberam US$ 1 tri de fundos privados, diz Banco Mundial

Mais de US$ 1 trilhão de fundos privados foram investidos em países em desenvolvimento em 2007, o que representou um aumento de US$ 174 bilhões em relação ao investido cinco anos atrás, de acordo com um relatório divulgado pelo Banco Mundial. Segundo a organização, houve um forte aumento do investimento estrangeiro no mercado de ações e de empréstimos bancários nesses países.

BBC Brasil |

Países relativamente mais prósperos, como Brasil e China, recebem a maior parte do investimento desses fundos privados, enquanto que alguns países muito pobres da África recebem pouco desse dinheiro.

No momento, os fundos estão fluindo para países em desenvolvimento - especialmente grandes mercados emergentes como China e Índia - porque eles ainda estão em crescimento, mesmo com a redução do ritmo econômico dos Estados Unidos e da Europa.

No entanto, o Banco Mundial alerta que, com o começo de uma crise de crédito no mundo todo, reflexo dos problemas no mercado de hipotecas nos Estados Unidos, o fluxo de dinheiro para os emergentes está começando a diminuir.

Inflação
O relatório do Banco Mundial examina a quantidade de dinheiro que está entrando em todos os países em desenvolvimento a partir dos principais centros financeiros mundiais.

"O crescimento forte no mundo em desenvolvimento está certamente ajudando como contrapeso à forte redução de ritmo (econômico) nos Estados Unidos", diz Uri Dadush, diretor do Departamento de Comércio Internacional do Banco Mundial.

"Mas ao mesmo tempo, as pressões crescentes de inflação global - especialmente o aumento do preço dos alimentos e da energia - estão atingindo grandes parcelas dos pobres em todo o mundo."
Essas pressões inflacionárias crescentes estão levando bancos centrais de todo o mundo, tanto em países ricos como pobres, a elevarem as taxas de juros ou a pelo menos sinalizarem um aumento dos juros para conter a inflação.

As taxas de juros poderiam, por sua vez, diminuir ainda mais o ritmo do crescimento econômico mundial.

O Banco Mundial já prevê que o crescimento global vai diminuir de 3,7% em 2007 para 2,7% em 2008.

Por sua vez, a previsão é de que o fluxo global de capitais para países em desenvolvimento caia em US$ 200 bilhões em 2009.

Regulação dos mercados
O relatório alerta que países com necessidades financeiras pesadas (para o pagamento de dívidas, por exemplo) estão potencialmente mais vulneráveis à crise de crédito, "especialmente onde fluxos de dívidas privadas no setor bancário contribuíram para a rápida expansão do crédito doméstico, aumentando as pressões inflacionárias".

Apesar de não citar os países especificamente, o relatório se refere a alguns países menores do leste da Europa, da América Latina (como a Argentina) e de partes da África Subsaariana e do Caribe.

O Banco Mundial também aponta o risco para países em desenvolvimento que não tiverem forte regulação nos seus mercados financeiros.

"O forte efeito de choques dos mercados dos Estados Unidos e da Europa em mercados financeiros de determinados países em desenvolvimento mostra a necessidade de mais e melhores regulamentações financeiras, provisão de liquidez e administração macroeconômica."
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está tentando fazer como que grandes economias emergentes - como China, Índia e Brasil - adotem voluntariamente um código de conduta que rege os investimentos em países ricos.

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