Países em desenvolvimento propõem fundo de combate à mudança climática

Pequim, 8 nov (EFE).- Os países em desenvolvimento pediram agilidade na transferência de tecnologia e a criação de um fundo de ajudas para lutar contra a mudança climática, ao término da Conferência sobre Alterações Climáticas: o Desenvolvimento Tecnológico e a Transferência de Tecnologia, encerrada hoje em Pequim.

EFE |

Representantes de quase 100 países e organizações internacionais e ONGs debateram medidas na capital chinesa para lutar contra a mudança climática, em uma reunião anterior à de Poznan (Polônia), que acontecerá no próximo mês.

O documento final de conclusões, assinado por todas as partes, pede a "aceleração da pesquisa, do desenvolvimento, do desdobramento e da transferência de tecnologia" com este fim, especialmente para melhorar as capacidades dos países mais pobres.

"O aquecimento global não provém de emissões de poucos anos atrás, mas é um assunto histórico que remonta há três séculos", disse hoje, em entrevista coletiva, o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Sha Zukang.

"A mudança climática não foi provocada pelos países menos desenvolvidos, mas, infelizmente, eles também são vítimas", acrescentou.

Neste sentido, um dos temas mais polêmicos do encontro foi a discussão da proposta realizada pelo G77 (grupo dos países menos desenvolvidos) e pela China de que os países mais ricos destinem 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para ajudas, a fim de combater a mudança climática.

"Trata-se de mais uma das propostas, uma sugestão, e não de somente um país, mas do G77 e da China", disse Sha.

No contexto de crise econômica e financeira mundial atual, a iniciativa teve notável repercussão.

"Caso (esta proposta) fosse adotada, geraria uma grande quantidade de recursos, mas tenho consciência de que muitos países não cumprem nem o objetivo de doar 0,7% do PIB para o desenvolvimento", disse o secretário-executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, em inglês), Yvo de Boer.

No entanto, um dos maiores impedimentos para que se transfira tecnologia dos países ricos para os pobres é o grande investimento que os primeiros realizaram em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

"É preciso estabelecer um mecanismo multilateral que proteja os direitos de propriedade intelectual e evite as cópias", acrescentou Sha.

Em seu discurso de abertura da cúpula, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, pediu aos países desenvolvidos que abandonem seu "insustentável estilo de vida".

A China, que tem 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo e é o maior emissor mundial de dióxido de enxofre - procedente do carvão e principal causador da chuva ácida -, apresentou no ano passado um plano para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, um dos maiores problemas do país.

Pequim marcou como objetivo a redução em 20% do consumo de energia por cada unidade de PIB, e em 10% da emissão de gases poluentes até 2010, projeto para o qual investirá 1 trilhão de iuanes (mais de US$ 146 bilhões).

Outro tema discutido na reunião de Pequim, apesar de não estar na agenda, foi a eleição do democrata Barack Obama como novo presidente americano, e todos os países previram que o papel dos Estados Unidos na luta contra a mudança climática melhorará.

"Os EUA recuperarão um papel de liderança nas negociações" para um novo acordo global sobre a mudança climática, disse Boer, principal responsável da ONU nesta matéria.

No entanto, a Conferência sobre Mudança Climárica das Nações Unidas que será realizada de 1º a 12 de dezembro em Poznan (oeste da Polônia), acontecerá com George W. Bush ainda na Casa Branca.

Esta reunião, que terá a participação de mais de 8 mil pessoas de 190 países, será a próxima reunião no debate sobre o futuro da política ambiental internacional, já que o Protocolo de Kioto expira em 2012. EFE gmp/fh/an

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