Por Sue Pleming e Alastair Sharp SHARM EL-SHEIKH, Egito (Reuters) - Doadores internacionais prometeram na segunda-feira 4,48 bilhões de dólares em ajuda para a economia palestina e a reconstrução de Gaza depois da ofensiva de três semanas de Israel, insistindo que o dinheiro não chegue às mãos do Hamas, que governa o território.

Estados árabes, os Estados Unidos e a Comissão Europeia assumiram compromissos significativos. O ministro do Exterior do Egito, Ahmed Aboul Gheit, disse em uma coletiva de imprensa que as promessas são novas e que o dinheiro será aplicado ao longo dos próximos dois anos.

A Organização das Nações Unidas e agências humanitárias disseram que reconstruir o enclave costeiro seria uma tarefa inglória enquanto os acessos a Gaza permanecerem fechados.

"A situação nos acessos fronteiriços é intolerável. Trabalhadores humanitários não têm acesso. Produtos essenciais não conseguem entrar", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na reunião de segunda-feira.

"Nossa meta primeira e indispensável, portanto, é abrir os acessos. Pela mesma moeda, entretanto, é essencial garantir que armas ilegais não entrem em Gaza", afirmou.

Israel e o Hamas não participaram da conferência, convocada pelo Egito. O Estado judeu diz apoiar os esforços internacionais para ajudar os palestinos, desde que o Hamas não se beneficie com dinheiro ou armas.

"Definitivamente não queremos ver a boa-vontade da comunidade internacional ser explorada pelo Hamas e servir aos propósitos extremistas do Hamas", disse Mark Regev, porta-voz do governo israelense.

A ofensiva militar em Gaza matou 1.300 palestinos, a maioria civis. No lado israelense, o conflito deixou 13 mortos, sendo a maioria soldados.

O Ocidente mantém-se afastado do Hamas por alegar que o grupo recusa-se a reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar acordos de paz com o estado judeu.

O grupo islâmico Hamas, que mantém negociações para formar um governo conjunto com o rival Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, disse que o boicote mina os esforços pela reconstrução.

"Ignorar as legítimas autoridades palestinas na Faixa de Gaza é um movimento na direção errada, e isso deliberadamente enfraquece os esforços de reconstrução", disse o porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum, em Gaza.

SEM DINHEIRO PARA O HAMAS

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que é rival do Hamas, esperava arrecadar 2,78 bilhões de dólares em doações, sendo 1,33 bilhão para a Faixa de Gaza.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, prometeu 300 milhões de dólares para a reconstrução de Gaza e 600 milhões para cobrir déficits orçamentários da Autoridade Palestina, promover reformas econômicas, melhorar a segurança e apoiar projetos da iniciativa privada que sejam administrados pela Autoridade Palestina.

Ela foi enfática no sentido de que a verba, a ser aprovada pelo Congresso dos EUA, não pode ir para o Hamas.

"Temos trabalhado com a Autoridade Palestina para instalar salvaguardas que irão garantir que nossa verba só seja usada onde e para quem se destina, e não termine em mãos erradas", disse ela.

A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) prometeu doar 440 milhões de euros (554,1 milhões de dólares), também destinados à reconstrução de Gaza e a reformas na Autoridade Palestina.

Países árabes do golfo Pérsico prometeram cerca de 1,65 bilhão de dólares e disseram que suas doações passariam por um mecanismo especial lançado no domingo na capital saudita.

Diplomatas ocidentais disseram que doadores em 2007 haviam prometido 7,7 bilhões de dólares em ajuda ao longo de três anos, mas os palestinos reclamam que apenas uma parte desse dinheiro chegou a ser aplicada no prazo.

Também ainda não está claro se Israel reabrirá as fronteiras de Gaza para a entrada de quantidades maiores de mantimentos e produtos como cimento e aço necessários para a reconstrução. Israel recusa a entrada de materiais que diz podem também ser usados por militantes para construir foguetes.

"Gaza não deveria ser uma verdadeira prisão a céu aberto", disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em entrevista coletiva.

Israel aumentou o rigor na fronteira de Gaza depois que o Hamas tomou o controle do território em 2007. Os israelenses dizem que gerenciarão de muito perto os esforços de reconstrução e que exigirão aprovações e garantias específicas de que cada projeto não poderá beneficiar o Hamas.

O Egito, que também faz fronteira com Gaza, se recusa a abrir a fronteira de Rafah ao tráfego normal -- aceita apenas um acesso limitado.

O secretário do Exterior da Grã-Bretanha, David Miliband, disse que a ajuda precisa chegar a Gaza, ser bem aplicada e sustentada. "Caso contrário, a saga de reconstrução e destruição continuará indefinidamente", acrescentou.

(Reportagem adicional de Will Rasmussen, em Shar El-Sheikh, Nidal al-Mughrabi, em Gaza, e Mohamed Assadi, em Ramallah)

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