Países do G8 não cumprem promessas sobre corte de emissões

Por Erik Kirschbaum BERLIM (Reuters) - Nenhum dos países do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) está perto de cumprir suas promessas no combate às mudanças climáticas e os Estados Unidos, o Canadá e a Rússia se encontram especialmente atrasados, afirmou um estudo divulgado na quinta-feira.

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O estudo 'G8 Climate Scorecards' (boletim de notas climático do G8), elaborado a pedido do grupo ambientalista WWF e da Allianz, disse que a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha --os países com o melhor desempenho-- haviam fracassado enormemente na implementação de medidas capazes de garantir o corte previsto nas emissões de dióxido de carbono.

'Não seremos capazes de prever o que acontecerá com o mundo dentro de 20 anos se não conseguirmos reduzir as emissões', disse Regine Guenther, chefe da área de políticas climáticas do WWF na Alemanha.

'Nenhum dos principais países industrializados do mundo adotou as medidas necessárias para se colocarem no caminho de conter um aumento global das temperaturas em 2 graus Celsius', disse Niklas Hoehne, autor do estudo feito pelo grupo Ecofys a pedido do WWF e da Allianz.

Segundo o documento, os líderes das nações do G8 --que emitiram 62 por cento do total do gás carbônico presente na atmosfera-- conversaram sobre limitar as emissões, mas fracassaram em seus esforços para traduzir isso em ato.

Os dirigentes dos países-membros da entidade (EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália, Canadá e Rússia) vão se reunir no resort japonês de Hokkaido, na próxima semana para sua cúpula anual. O aquecimento deve ser um dos principais assuntos a serem tratados no encontro.

Na cúpula do ano passado, na Alemanha, eles acertaram estudar com seriedade a meta de reduzir as emissões globais pela metade até 2050.

O documento do WWF, no entanto, mostra um cenário preocupante, um cenário no qual todos os oito países deixaram de adotar as medidas necessárias para cumprir suas promessas.

EUA, Canadá e Rússia

O estudo avaliou o desempenho de governos federais quanto à implementação de manobras capazes de reduzir as emissões. E trata também da performance deles em termos de eficiência no consumo de energia, no uso de fontes de energia renováveis e no desenvolvimento do mercado de cotas de carbono.

O documento considerou que os EUA, o Canadá e a Rússia tiveram os piores desempenhos e 'fracassaram na prova'.

'Os EUA apresentam as piores notas dos países do G8, sendo o maior emissor e a nação com a maior taxa de emissão per capita. Além disso, os EUA tendem a aumentar ainda mais seu volume de poluentes', disse o relatório, conferindo ao governo norte-americano 'notas vermelhas' em 11 de 12 quesitos.

'O Canadá aparece em segundo com uma taxa muito alta de emissão per capita e uma tendência persistente de aumento no volume total de emissões', disse. O governo canadense acusou o estudo de ser impreciso.

'O WWF disse que as tendências de emissão de gases do efeito estufa no Canadá estão em alta e que essas emissões aumentaram. No entanto, nos últimos dois anos, as emissões de gases do efeito estufa caíram no Canadá', disse Garry Keller, porta-voz do ministro canadense do Meio Ambiente, John Baird.

O WWF afirmou que a Rússia saiu-se 'um pouco melhor devido a uma queda nas emissões no começo dos anos 90. Mas, desde 1999, as emissões vêm aumentando continuamente e quase não há medidas para conter as emissões'.

O estudo também conferiu ao Japão uma nota 'vermelha' para seu desempenho em termos gerais. O volume de emissões do país encontra-se muito acima da meta do Protocolo de Kyoto e há poucas medidas sendo adotadas para limitá-las.

A Grã-Bretanha, a França e a Alemanha receberam as melhores notas, nessa ordem. Mas nenhum deles obteve notas gerais 'verdes,' que seriam as adequadas no padrão do estudo.

(Reportagem adicional de David Ljunggren em Ottawa)

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