Países do G20 têm desafio de cumprir objetivos estipulados em Washington

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 16 nov (EFE).- Os países que assistiram à Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) devem começar hoje mesmo a trabalhar nos ambiciosos objetivos marcados em Washington, que os obrigará a gastar mais dinheiro público e a reforçar seus órgãos de regulação e supervisão.

Depois de concluída a Cúpula do G20, o papel de agir recai sobre os Governos, que têm prazo até 31 de março de 2009 para elaborar suas reformas internas.

A declaração final da cúpula deixa claro que cada país tem a responsabilidade de reforçar seus sistemas de supervisão e de regulação, assim como de potencializar a coordenação com os outros.

Não é uma tarefa fácil, pois, a curto prazo, há uma tarefa mais urgente: enfrentar uma crise que já anulou o crescimento econômico dos Estados Unidos e que provocou a contração da zona do euro pela primeira vez desde a adoção da moeda única.

A receita dada na cúpula são as mesmas medidas fiscais e monetárias que alguns países já estão aplicando. Trata-se, basicamente, de reduções de juros, como as já adotadas em vários países, e também planos de estímulos fiscais, com baixas e devoluções de impostos.

Por enquanto, Reino Unido, Japão, Alemanha e China já têm suas respectivas medidas de estímulos sobre a mesa.

Nos Estados Unidos, o Governo do presidente americano, George W.

Bush, resiste em adotar a medida, mas o presidente eleito, Barack Obama, anunciou que esta é uma de suas prioridades, razão pela qual se dá por certo que a maior economia do mundo utilizará dinheiro público para reativar o consumo.

Ontem mesmo, ao término da reunião, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que o mundo precisa de um estímulo fiscal de US$ 1,2 trilhão para combater a crise, e afirmou que a entidade promoverá uma expansão orçamentária coordenada.

O chefe do FMI destacou que existe um consenso sobre a necessidade de uma injeção pública de dinheiro que deve ser elevada para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, que este ano é estimado em US$ 62 trilhões.

Com a determinação de disponibilizar todo o dinheiro necessário, existe a confiança de que a reativação econômica atinja também os emergentes, que foram contagiados nesta crise pelos males dos países mais desenvolvidos.

Todos os analistas concordam que a grande conquista desta cúpula foi reconhecer o peso das nações emergentes que, com China, Índia e Rússia à frente, têm em suas mãos o poder do crescimento mundial.

A crise serviu também para que os países desenvolvidos fizessem um "mea culpa" e reconhecessem os erros cometidos nesta última década de excessos econômicos.

"Após anos de crescimento econômico sustentado, aumento dos fluxos de capital e certa estabilidade, os mercados financeiros se lançaram à caça de altas rentabilidades sem estimar os riscos e sem que houvesse uma adequada supervisão", diz a declaração final.

Além disso, houve outros fatores que deram lugar a um coquetel político explosivo, como uma deficiente avaliação dos ativos dos bancos, práticas de risco elevadas e o surgimento de produtos muito sofisticados e pouco regulados.

O comunicado, que reflete o consenso dos governantes reunidos em Washington, acrescenta outro fator de responsabilidade para os países desenvolvidos: a falta de resposta de seus reguladores e de seus supervisores, que não se preocuparam enquanto a bolha financeira crescia sem parar.

Por isso, a principal medida que será tomada após a Cúpula do G20, e que deve ser desenvolvida pelos Governos, é a de reformar seus sistemas financeiros para que haja maior supervisão dos agentes que operam nos mercados.

Especial atenção deve ser dada aos balanços dos bancos - para que os ativos de risco não tenham um peso excessivo - e às remunerações de seus diretores, aos quais se pretende impor limites.

Outra tarefa dos Governos será a de coordenar suas políticas macroeconômicas com o exterior e melhorar a comunicação com os supervisores de outros países, para que as entidades que operam em todo o planeta não fiquem fora de controle. EFE pgp/fh/an

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