Países do Caribe pedem fim do embargo dos EUA a Cuba

Por Patrick Markey HAVANA (Reuters) - Os países caribenhos pediram na segunda-feira ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que acabe com o embargo econômico contra Cuba, em vigor há mais de quatro décadas.

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Obama, que toma posse em 20 de janeiro, prometeu abrandar as restrições contra viagens e remessas de dinheiro por parte de cubano-americanos. Ele diz, porém, que manterá o embargo como ferramenta para pressionar a democratização da ilha.

"A comunidade caribenha espera que a mudança transformacional que está em curso nos Estados Unidos finalmente relegue tal medida à história", disse o primeiro-ministro de Antigua e Barbuda e atual presidente do bloco regional Caricom, W. Baldwin Spencer, numa reunião em Santiago de Cuba (leste da ilha).

O ex-presidente Fidel Castro e o seu irmão Raúl, atual governante, recentemente afirmaram estar abertos ao diálogo com o novo governo norte-americano. Fidel, cuja ascensão ao poder completa 50 anos no próximo dia 1o, não aparece em público desde julho de 2006, e só se manifesta pela imprensa. Raúl assumiu formalmente a Presidência em fevereiro.

Obama não comentou as declarações dos irmãos Castro, dois inimigos dos EUA desde os tempos da Guerra Fria. Recentemente, Havana intensificou suas relações com Rússia e China.

Nesta semana, dirigentes empresariais norte-americanos se somaram aos apelos a Obama pelo fim do embargo.

O novo presidente pode atenuar restrições a ampliar a cooperação com Cuba em questões relativas a migração e narcotráfico, mas uma reunião Obama-Raúl ainda parece improvável em curto prazo, segundo analistas.

Cuba sofreu três violentos furacões neste ano, que destruíram lavouras e provocaram prejuízos em torno de 10 bilhões de dólares. Os países caribenhos estão preocupados com o impacto da crise financeira sobre o setor turístico dessas nações.

Havana tem sólidas relações com seus vizinhos caribenhos. Mais de mil médicos cubanos trabalham em programas sociais na região, e mais de 2.000 alunos de nações vizinhas estudam em Cuba.

"Esses projetos...não se baseiam nas regras do neoliberalismo, que hoje estão desabando como um castelo de cartas", disse Raúl aos líderes do Caricom. "Eles não buscam vantagens comparativas ou lucro máximo, eles promovem o desenvolvimento, a justiça, a igualdade e o bem-estar."

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