Países do Bric defendem formas alternativas de combater crise

Moscou, 16 jun (EFE).- Brasil, Rússia, Índia e China, as quatro economias emergentes que integram o Bric, debaterão hoje na primeira cúpula forma do grupo alternativas para superar a atual crise financeira.

EFE |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "defenderá um controle supranacional da política econômica e comercial dos países mais ricos", informaram à Agência Efe fontes diplomáticas brasileiras.

Em reunião prevista para começar 16h30 (9h30 de Brasília) na cidade de Ecaterimburgo, Lula se encontrará com os presidentes russo, Dmitri Medvedev; e chinês, Hu Jintao; e com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Ao fim da cúpula, o Bric emitirá uma declaração conjunta sobre a crise financeira e o desenvolvimento mundial.

"O Bric procura uma maior coesão política para enfrentar a atual crise econômica. Os ricos devem escutar a voz dos emergentes", indicou a fonte.

Na cúpula será abordada a reforma das organizações multilaterais como a ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) para que deem voz e voto não só às economia desenvolvidas.

Outro aspecto que Lula pretende discutir na reunião com seus colegas russo e chinês e o primeiro-ministro da Índia é sobre os bônus que o FMI emitirá para melhorar seu financiamento.

O Brasil informou que emprestará ao Fundo US$ 10 bilhões, a mesma quantia que a Rússia, enquanto a China comprará US$ 50 bilhões em bônus.

Sobre isso, Lula explicou que o empréstimo ao FMI é um sinal de que as economias emergentes estão dispostas a assumir sua parcela de responsabilidade na solução dos problemas financeiros atuais.

O presidente também defendeu nas últimas semanas desatrelar o dólar das trocas comerciais bilaterais, proposta apoiada por Rússia, mas que encontrou pouco respaldo da China.

"A cooperação entre os quatro países deve ser aberta e transparente. Não deve ser dirigida contra terceiros países e se ver voltada ao confronto", ressaltou na véspera um porta-voz da Chancelaria chinesa em Ecaterimburgo.

Arkadi Dvorkovich, assessor econômico do presidente russo, afirmou hoje que o rublo, o iuane e outras moedas merecem ser incluídas como divisas de câmbio oficiais do FMI.

Às vésperas da cúpula, Singh atrelou a recuperação econômica mundial ao êxito das economias emergentes do Bric.

"O grupo tem potencial para liderar o crescimento econômico do mundo. De fato, a recuperação econômica mundial está estreitamente ligada ao êxito das economias do Bric", assegurou Singh em comunicado.

Os países do grupo Bric concentram em torno de 40% da população mundial, 14,6% do Produto Interno Bruto (PIB), 12,8% do comércio, assim como 25% da superfície terrestre do planeta. EFE io/DB

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