Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - As discussões para endurecer as regras sobre as bombas de fragmentação, retomadas na segunda-feira em Genebra, são simplesmente uma manobra de grandes potências para boicotar um outro tratado que proibiria totalmente tais armas, segundo ativistas.

Mais de cem países aceitaram em maio proibir as munições de fragmentação e devem assinar esse tratado em dezembro em Oslo. Mas grandes produtores e usuários dessas bombas, como EUA, Rússia, China, Índia, Brasil e Israel, foram contra a proibição, apesar de ativistas dizerem que essas munições já mataram e mutilaram dezenas de milhares de civis.

Stephen Mathias, chefe da delegação dos EUA, disse na sessão de abertura haver muitas divergências sobre o assunto. "A meta é produzir um texto que tenha reais benefícios humanitários, mas que também atraiam o apoio desses países que acreditam que as munições de fragmentação são armas legítimas, importantes para os seus interesses de segurança nacional."

Essas armas, muito usadas na guerra do Vietnã, podem se espalhar em centenas de fragmentos, muitos dos quais não explodem imediatamente, representando uma ameaça para civis mesmo anos após o conflito.

A reunião em Genebra destina-se a atualizar um tratado de 1981 sobre armas convencionais excepcionalmente perigosas, conhecido em inglês pela sigla CCW.

Mathias disse esperar uma conclusão dessas negociações ainda nesta semana, embora muitos países, inclusive os EUA, queiram promover mudanças, segundo texto distribuído pela legação norte-americana.

"Parece bastante claro que o que está acontecendo na CCW não é uma tentativa de lidar com as munições de fragmentação, e sim uma tentativa de lidar com a publicidade ruim que se tem por não ser parte do processo de Oslo", disse Steve Goose, da entidade Human Rights Watch.

"É totalmente inconcebível que eles concordem com alguma coisa que faça diferença humanitária real em termos de lidar com os problemas causados por munições de fragmentação", disse Goose em entrevista coletiva.

As propostas em discussão dariam aos países entre 13 e 20 anos para eliminar algumas munições de fragmentação, mas manteria a produção, comércio e uso das demais, segundo o ativista.

Thomas Nash, coordenador da coalizão contra as munições de fragmentação, disse que cerca de metade dos países que já usaram ou produziram essas armas e dos que as mantêm em estoque deve assinar o tratado de Oslo em 3 de dezembro.

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