Presidente brasileiro afirma que iranianos demonstraram disposição para negociar

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira que o Irã demonstrou disposição para negociar, ao fechar um acordo mediado pelo Brasil e a Turquia sobre troca de urânio. Lula disse que agora espera que outros países façam sua parte para pôr fim ao impasse envolvendo o programa nuclear iraniano. "Quero ver se os outros vão cumprir aquilo que queriam que o Irã fizesse", afirmou o presidente em discurso.

O Brasil e a Turquia mediaram um acordo nesta semana em que o Irã concordou em enviar parte de seu urânio de baixo enriquecimento ao exterior em troca de combustível para um reator de pesquisa médica. A primeira leva está programada para chegar na Turquia dentro de um mês.

O acordo fechado na segunda-feira foi inicialmente proposto em outubro para amenizar as preocupações do Ocidente com as ambições nucleares do Irã e prevê transferir parte do urânio do país ao exterior.

Após o anúncio do acordo, no entanto, os Estados Unidos anunciaram que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU concordaram com um esboço de resolução contendo novas sanções à República Islâmica.

Turquia, Brasil e Irã fizeram um apelo para suspender as negociações para novas sanções por conta do acordo de troca, mas críticos descrevem o acordo como uma tática para evitar ou adiar as sanções.

Irã ameaça

O Irã pode cancelar seu acordo com a Turquia e o Brasil para transferir parte de seu urânio ao exterior se o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma nova rodada de sanções contra o país, disse nesta quinta-feira um membro do Parlamento iraniano.

"Se (o Ocidente) emitir uma nova resolução contra o Irã, não nos comprometeremos com a declaração de Teerã e o envio de combustível ao exterior será cancelado", disse o legislador Mohammad Reza Bahonar, um dos mais importantes do Parlamento iraniano, à agência de notícias iraniana Mehr.

"As potências junto ao Conselho de Segurança da ONU chegaram a um consenso sobre o Irã e é bem possível que no futuro próximo seja colocado em operação uma quarta rodada de resoluções contra o Irã", acrescentou Bahonar.

As novas sanções teriam como alvo os bancos iranianos e um pedido para inspecionar navios suspeitos de transportar carga relacionada aos programas nucleares e de mísseis do Irã.

O Irã rejeitou anteriormente o esboço de resolução dizendo que falta legitimidade à proposta e que é improvável que ela seja aprovada. O país diz que suas ambições atômicas são puramente sem fins militares e se recusa a suspender o enriquecimento de urânio.

"Os americanos levarão o desejo de prejudicar a nação iraniana aos seus túmulos", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad a militares na quinta-feira, segundo a agência estatal de notícias IRNA.

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