Países devem apoiar o Haiti e pedem transparência e mais democracia

Elena Moreno. Nações Unidas, 31 mar (EFE).- A comunidade internacional respondeu hoje de forma positiva ao Haiti e ao pedido das Nações Unidas de US$ 3,9 bilhões de assistência financeira até 2011, mas também pediu transparência nas contas e o início de uma verdadeira democracia.

EFE |

A "nova história" que as Nações Unidas e os países doadores querem escrever para o Haiti, um país que antes do terremoto do dia 12 de janeiro já era o mais pobre da América, passa pela generosidade e solidariedade internacional e por um Governo haitiano que se esforce em realizar as reformas que o país requer.

Mais de 130 países participam hoje da conferência internacional de doadores organizada pela ONU e pelos Estados Unidos, e co-presidida pela União Europeia (UE), Espanha, França, Brasil e Canadá, para reunir o financiamento necessário para a recuperação do Haiti.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi o primeiro a pedir ao presidente do Haiti, René Préval, que dote o país de "um Governo plenamente democrático" nesta nova fase.

Também pediu que ele execute políticas de luta contra a pobreza e a disparidade, além de dar ao país "um Poder Judiciário independente e uma sociedade civil vigilante e respeitosa dos direitos humanos".

Ban ressaltou que a "nova associação" à qual a ONU e a comunidade internacional estão dispostas "se baseia nos princípios do bom Governo, da transparência e da responsabilidade mútua de governantes e governados", e dos setores público e privado.

Préval, que em seu discurso agradeceu a solidariedade internacional e calculou as perdas humanas em 300 mil e as econômicas em 120% do PIB haitiano, respondeu que a necessidade mais urgente para remodelar um "novo Haiti" é a educação.

"Sem educação o desenvolvimento não é possível", disse Préval, que preside um país em que 38% da população maior de 15 anos é analfabeta e em que 25% das crianças estão fora da escola, segundo dados do próprio Governo haitiano.

O líder haitiano, no entanto, não se referiu às reformas estruturais e institucionais que seu país necessita, lembradas pelos outros países na conferência.

Ban disse que o plano de reconstrução haitiano era "concreto, específico e ambicioso" e que nos próximos 18 meses serão canalizados programas e projetos específicos e que na próxima década o Haiti deve precisar de US$ 11,5 bilhões, quantidade que "terá que ser bem investida e melhor coordenada".

De maneira imediata, a União Europeia e os EUA se comprometeram com US$ 2,75 bilhões dos US$ 3,9 bilhões solicitados pela ONU, durante os respectivos discursos da alta representante de política externa europeia, Catherine Ashton, e da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

"Este plano vai além da reconstrução, e inclui a descentralização, os investimentos em agricultura, em educação e infraestrutura", disse Ashton, durante seu discurso na conferência em que anunciou o compromisso comunitário de fornecer 1,235 bilhão de euros.

Washington, por sua vez, fornecerá US$ 1,150 bilhão da quantidade solicitada hoje pelo secretário-geral da ONU em favor do Haiti, anunciou Hillary, que precisou que estes fundos serão destinados a fomentar a produção agrícola do país, fortalecer sua segurança e melhorar o funcionamento do Governo.

Hillary prometeu, além disso, deixar de lado as tradicionais reservas a colaborar com as instituições haitianas, consideradas ineficazes e corruptas, porque é preciso que o Governo do país antilhano seja o pilar sobre o qual se construa o desenvolvimento do país.

"Ajudar o Haiti vai além de qualquer luta política, religiosa e ideológica. É um desafio para que a comunidade internacional demonstre sua vontade e capacidade para unir-se a favor de uma causa justa", disse o ministro Celso Amorim.

Por sua vez, a primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, pediu aos demais países que acompanhem o Haiti na tarefa de construir um Estado estável, participativo, honesto e transparente.

Ela afirmou que para reconstruir o Haiti é preciso "melhorar os alicerces econômicos e a infraestrutura", além de instituições "firmes e plenamente democráticas" e de uma organização política que garanta um Estado estável, participativo, transparente e calcado nos cidadãos".

O plano do Governo haitiano contempla a criação de um Fundo de Reconstrução do Haiti, administrado pelo próprio Governo antilhano e os países doadores, com o Banco Mundial (BM) como agente fiscal.

O Fundo financiaria a desconcentração e a descentralização do Haiti, incluído a criação de novos pólos de desenvolvimento, infraestrutura, as conchas hidrográficas e a gestão do risco de desastres. EFE emm/pb

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