Países desenvolvidos e emergentes buscam acordos contra mudanças climáticas

Alberto Cabezas. Jiutepec (México), 22 jun (EFE).- Representantes dos Governos de 20 economias desenvolvidas e emergentes deram início hoje a uma reunião de dois dias no México, onde retomarão os acordos mundiais contra as mudanças climáticas e seguirão com os compromissos do Protocolo de Kioto.

EFE |

O encontro, realizado na cidade de Jiutepec, no centro do México, tem o objetivo de guiar os líderes do Grupo dos Oito (G8) sobre o tema, que se reunirão do dia 8 ao dia 10 de julho, na Itália.

"O propósito do Fórum é contribuir para alcançar um resultado bem-sucedido nas negociações da XV Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP XV), que será realizada em dezembro", afirmou o americano Michael Froman, co-presidente do encontro e enviado especial da Casa Branca sobre Mudanças Climáticas.

Os países que geram 80% das emissões de gases de efeito estufa e que consomem 80% da energia mundial estarão representados na a terceira reunião preparatória para o Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima (MEF, em sua sigla em inglês).

As discussões focarão na redução de emissões, no impulso às tecnologias limpas, no financiamento da proteção ao meio ambiente e na mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no planeta.

É importante que essa reunião seja concluída com declarações contundentes sobre iniciativas que melhorem o marco internacional de luta contra a mudança climática, para a reunião de Copenhague, que será realizada em dezembro.

A cúpula organizada pela ONU deve determinar um marco normativo que consolide os objetivos do Protocolo de Kioto, adotado em 1997, que tem o objetivo de reduzir 5,2% das emissões de gases causadores do efeito estufa, antes de 2012, nos países industrializados.

O Protocolo de Kioto se refere apenas aos países mais desenvolvidos, algo que o Fórum, impulsionado pela nova liderança do presidente dos EUA, Barack Obama, pretende mudar.

O líder do México, Felipe Calderón, reiterou hoje sua proposta de criar um Fundo Verde Mundial, que premie os países que reduzirem as emissões de gases poluentes à atmosfera, uma iniciativa que recebeu bastante apoio.

O presidente propôs um financiamento inicial de US$ 10 bilhões e que o instrumento esteja sob o controle de "um organismo internacional já criado", que poderia ser o próprio Banco Mundial (BM).

Calderón disse que é preciso buscar mecanismos para aumentar a oferta de "energia limpa" e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões mundiais, mas com urgência, porque os danos da deterioração ambiental estão aumentando.

"Uma coisa temos que enfatizar é o combate às mudanças climáticas, o que é difícil, mas seus efeitos são muito mais", acrescentou o governante, que confiou que a nova liderança dos EUA permita melhores resultados.

O presidente do México convocou os outros líderes a romperem com o paradigma da luta contra as mudanças climáticas, que "só corresponde aos países desenvolvidos, industrialmente poderosos ou suficientemente ricos".

Calderón afirmou que é necessário trabalhar intensamente na criação de "mecanismos eficazes" para evitar o aquecimento global e passar da "reprovação recíproca" para uma era de "co-responsabilidade".

O presidente disse que seu país "vai apoiar qualquer consenso alcançado para a redução de emissões em nível global, qualquer meta, qualquer propósito, de 20% para 2020, 50% para 2050, 80% para o 2050".

"Passou mais de uma década sem que a humanidade dê um só passo adiante contra as mudanças climáticas", afirmou.

Ministros e altos funcionários da Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Dinamarca, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Reino Unido, Rússia, República Tcheca, Suécia, África do Sul e da Comissão Europeia participaram do encontro. A Espanha e Noruega participaram como países observadores.

EFE.

act/pd

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