Países da UE elevam para 100 mil euros garantia de depósitos bancários

Vários países da União Européia decidiram ir além da exigência mínima de 20 mil euros como limite de garantia nacional para os depósitos bancários, optando por assegurar valores até 100 mil euros.

AFP |

O compromisso foi alcançado na reunião de ministros das Finanças dos 27 membros da UE, dentro de seu objetivo de atuar de forma coordenada para tranqüilizar os correntistas e os grandes grupos financeiros frente à crise financeira.

"Os Estados estão de acordo em aumentar a proteção dos depósitos de particulares para um valor de pelo menos 50 mil euros, sabendo que vários Estados-membros estão determinados a elevar essa cobertura a 100 mil euros", segundo o texto divulgado.

"A Europa está unida frente à crise financeira e determinada a atuar de forma coordenada", declarou a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, cujo país exerce a presidência da UE, em coletiva de imprensa ao final da reunião.

Em seguida a esse acordo, concluído durante a reunião de ministros das Finanças do bloco europeu, Holanda, Espanha, Áustria, Grécia e Bélgica anunciaram, imediatamente, o aumento da garantia bancária para 100 mil euros.

A Holanda foi o primeiro país a anunciar sua intenção de aumentar a garantia sobre os depósitos bancários dos correntistas particulares de 38 mil para 100 mil euros, em caso de falência do banco.

O ministro da Economia da Bélgica, Didider Reynders, também anunciou, em Luxemburgo, que o governo belga decidiu elevar para 100 mil euros o limite de garantia nacional dos depósitos bancários.

Mesma decisão foi tomada pela Grécia, segundo a nota divulgada pelo ministro grego da Economia, Georges Alogoskoufis, após o Conselho Europeu de ministros da Economia da Zona Euro.

Na mesma direção, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também ampliou a garantia até 100 mil euros para os correntistas espanhóis. Em paralelo, Madri decidiu criar um fundo para apoiar o sistema financeiro (de empresas e cidadãos) espanhol com um aporte de 30 bilhões de euros ampliável até o máximo de 50 bilhões de euros.

O ministro austríaco das Finanças, Wilhem Molterer, acompanhou a decisão de seus pares. A Áustria se reserva, inclusive, a possibilidade de ir além dos 100 mil euros, caso a vizinha Alemanha confirme sua vontade de oferecer garantia ilimitada a seus correntistas.

Viena se vê obrigada a se alinhar às medidas tomadas por Berlim, para evitar uma fuga de capitais em direção aos bancos alemães que ofereçam maior proteção.

Na França, o limite estabelecido foi de 70 mil euros para depósitos e títulos e, no caso da Itália, a garantia cobre até 103.291 euros. Recentemente, o premier italiano, Silvio Berlusconi, declarou que não aceitará que "os italianos percam um euro que seja de suas economias".

Na semana passada, o governo irlandês anunciou que depósitos e dívidas nos seis maiores bancos do país teriam garantia ilimitada por dois anos.

Na Dinamarca, o governo concluiu um acordo com os bancos para injetar liquidez nos próximos dois anos, em um fundo destinado, sobretudo, a garantir os depósitos dos clientes, e sem um teto fixado.

A Alemanha também vai oferecer a garantia do Estado para todos os depósitos de particulares, sem valor-limite. Até então, o governo havia estabelecido proteção até 20 mil euros para as poupanças privadas.

Nesta terça, a Grã-Bretanha aumentou de 35 mil para 50 mil libras (64.700 euros) o limite de garantia de depósitos por cliente e por banco. A Autoridade dos Serviços Financeiros (FSA) disse que poderá, eventualmente, se necessário, rever esse valor.

No caso da Suécia, o governo anunciou que dobrará o mínimo garantido para os depósitos bancários, chegando a até 500.000 coroas (51.110 euros).

Também nesta terça, Portugal anunciou que garantirá os depósitos de "pelo menos" 50 mil euros, contra os 25 mil euros estabelecidos anteriormente.

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