Países da Europa anunciam plano para ajudar bancos

Os líderes dos 15 países que adotam o euro como moeda oficial chegaram neste domingo em Paris a um consenso sobre um plano para ajudar o sistema financeiro do bloco. O plano, anunciado em uma coletiva pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, estabelece que os países da zona do euro passarão a garantir os empréstimos interbancários.

BBC Brasil |

Os 15 governos também adotarão medidas para recapitalizar os bancos do bloco.

Sarkozy disse que mais detalhes do pacote serão anunciados por cada país na segunda-feira e que as medidas serão colocadas em prática até 31 de dezembro de 2009.

O presidente francês não revelou qual é o montante, em dinheiro, que o pacote deve mobilizar.

Contra o pessimismo
"Esta é de fato uma ação conjunta que estamos adotando", disse Sarkozy. "A crise nos últimos dias entrou em uma fase que torna intolerável optar pela procrastinação e pela abordagem isolada."
"Este plano responde a todos os aspectos da crise financeira", afirmou.

Comentando a proposta após o anúncio de Sarkozy, o presidente da Comissão Européia (braço executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, destacou que um dos objetivos dela é "acabar com o excessivo pessimismo dos mercados".

"Nós estamos seguindo o caminho certo para a Europa, para nossas empresas e para nossos cidadãos", disse.

"Ação coordenada é essencial para um gradual restabelecimento da confiança."

Grã-Bretanha
A expectativa era de que os países da zona do euro adotassem um plano parecido com o anunciado pela Grã-Bretanha no início da semana passada, que prevê a nacionalização parcial dos bancos com dificuldades em troca da garantia de empréstimos interbancários e créditos de curto prazo.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, conversou com o presidente Sarkozy antes da reunião, depois de prometer que a Grã-Bretanha vai "conduzir o caminho" para sair da crise financeira.

Os líderes das quatro maiores economias européias - Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália - realizaram a primeira reunião sobre a crise na semana passada, mas estavam divididos em relação a um plano comum.

Antes do encontro em Paris, o ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou um fundo equivalente a cerca de US$ 27 bilhões para garantir a liquidez dos bancos baseados em Portugal.

O ministro português ressaltou que a medida não é um sinal de fragilidade, explicando que ela visa apenas garantir o acesso a liquidez para continuar com o funcionamento normal da economia portuguesa.

G7
A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que a conferência em Paris iria preencher o "esqueleto" do plano aprovado pelo G7 (o grupo das sete nações mais ricas do mundo) em Washington com "carne e músculos".

Neste sábado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que o sistema financeiro internacional está "à beira do derretimento sistêmico" e criticou a postura do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, em relação à crise.

Kahn criticou o plano apresentado pelos ministros das finanças do G7 após, dizendo que ele não é suficiente para restaurar a confiança dos mercados.

"As preocupações cada vez maiores em relação à solvência de várias das maiores instituições financeiras européias e americanas empurraram o mundo para a beira do derretimento sistêmico", disse Kahn.

Em outros países
Também neste domingo, após dois dias de discussões, o governo australiano decidiu garantir todos os depósitos bancários durante três anos.

O primeiro-ministro do país, Kevin Rudd, também disse que seu governo vai garantir um fundo de venda por atacado para bancos australianos numa tentativa de apoiar as instituições financeiras afetadas pela crise.

Os governos da Nova Zelândia e dos Emirados Árabes Unidos também se uniram ao países que resolveram garantir os depósitos bancários neste domingo.

A maior bolsa de valores do mundo árabe, a da Arábia Saudita, encerrou o dia com a primeira alta em duas semanas, refletindo decisão das autoridades locais de cortar uma taxa de juros.

Mas outras bolsas no Oriente Médio, onde os mercados funcionam normalmente aos domingos, tiveram quedas significativas: no Cairo, de 3%, e em Doha, de mais de 7%.

Em Israel, a abertura dos negócios na bolsa de Tel Aviv chegou a ser adiada devido a fortes baixas de ações negociadas antes do início do pregão. Os negócios do domingo chegaram ao fim com queda de 3,8%.

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