Países da Ásia-Pacífico adotam estratégia para catástrofes naturais

Miguel F. Rovira Cingapura, 24 jul (EFE) - Os países da Ásia-Pacífico anunciaram nesta quinta-feira uma estratégia para coordenar o emprego de recursos militares e civis em catástrofes naturais como as ocorridas este ano por causa de um ciclone em Mianmar (antiga Birmânia) e de um terremoto na China, que causaram milhares de mortes.

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A estratégia inclui a realização, a partir do próximo ano, de manobras militares com a participação das tropas das nações que contribuirão voluntariamente com contingentes e com a criação de centros de coordenação em países da região.

Esta iniciativa foi respaldada por 26 países e pela União Européia (UE) durante a 15ª reunião anual do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), à qual estavam presentes os ministros de Assuntos Exteriores.

"Desejamos também ter tropas preparadas com a finalidade de responder rapidamente a qualquer desastre", declarou em entrevista coletiva o chanceler cingapuriano e anfitrião da reunião, George Yeo.

O respaldo dos países da Ásia-Pacífico à iniciativa para responder com rapidez e coordenar as operações de ajuda humanitária cívico-militares que acontecerem, sempre sob comando civil, ocorreu após a Junta Militar birmanesa impedir a entrada de assistência estrangeira para 2,4 milhões de desabrigados pelo ciclone "Nargis".

Aproximadamente 138 mil pessoas morreram ou desapareceram depois da passagem do ciclone pelo delta do rio Irrawaddy entre os dias 2 e 3 de maio, mas o regime militar não permitiu, até o fim do mês, a entrada da ajuda humanitária e dos voluntários estrangeiros.

Já na província de Sichuan, na China, um terremoto ocorrido em 12 de maio deixou mais de 69 mil mortos e 18 mil desaparecidos.

Em comunicado conjunto, os 27 membros do fórum, que se reúne anualmente para abordar assuntos de segurança regional, assinalaram que os países afetados por um desastre natural devem facilitar a entrada de ajuda procedente de outras nações e de organizações internacionais para que "o socorro seja rápido e efetivo".

O documento, que não é vinculativo e contém recomendações, deixa aberta a via para que os países atingidos por desastres naturais rejeitem a entrada de forças militares estrangeiras em missão humanitária sem um acordo prévio entre o Estado afetado e os que pretendem prestar socorro.

"Os esforços para socorrer às vítimas deverão estar sob o controle e a supervisão do Estado afetado", diz o documento aprovado pelos ministros de Assuntos Exteriores.

Os países da Ásia-Pacífico, que na declaração conjunta reconheceram que a região é propensa a desastres naturais, destacaram a necessidade de os membros do fórum "intensificarem a cooperação em matéria de preparação diante de catástrofes, gestão, reabilitação e reconstrução".

"É preciso maior formação, assistência técnica e coordenação" entre os 27 membros do fórum, acrescenta o comunicado final.

A idéia de criar um mecanismo para coordenar as operações militares e civis de ajuda humanitária, defendida pelos Estados Unidos, surgiu depois da catástrofe causada pelo tsunami que ocorreu no Oceano Índico em 26 de dezembro de 2004 e que deixou 226,4 mil mortos em 12 países.

O Fórum Regional da Asean é integrado por Austrália, Bangladesh, Brunei, Mianmar, Camboja, Canadá, Coréia do Norte, Coréia do Sul, China, EUA, Filipinas, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Mongólia, Nova Zelândia, Paquistão, Papua Nova Guiné, Rússia, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste, Vietnã e UE. EFE mfr/fh/db

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