Países da América selam acordo para criar mecanismo de combate a crises

Julián Rodríguez Marín Cancún (México), 24 jun (EFE).- Os países do continente americano e os bancos internacionais firmaram hoje um acordo para o estabelecimento de um mecanismo de diálogo permanente que permita a busca de soluções conjuntas para os problemas imediatos, como os altos preços dos alimentos e dos combustíveis.

EFE |

Durante o fechamento da primeira reunião de ministros da Fazenda, Economia e Finanças da América e do Caribe, que foi realizada em Cancún, no Caribe mexicano, o secretário da Fazenda do México, Agustín Carstens, disse que a idéia de manter um encontro permanente recebeu o apoio de todos os presentes.

Segundo Carstens, esse esforço contou ainda com a aprovação dos organismos financeiros internacionais, que se comprometeram a estabelecer mecanismos de financiamento mais flexíveis, condizentes com as necessidades de cada país.

Além dos ministros da região, participaram do encontro os diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan; do Banco Mundial (BM), Robert B. Zoellick; do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno; e do secretário da Comunidade do Caribe (Caricom), Edwin W. Carrington.

Cartens entregou a coordenação desse novo mecanismo de diálogo ao seu colega do Chile, Andrés Velasco, que comandará a segunda reunião de ministros em julho de 2009, em Santiago no Chile, com uma nova agenda de temas gerais e conjunturais.

O responsável pela política financeira do México e anfitrião do primeiro encontro destacou a concordância "unânime" dos participantes em relação aos temas centrais da reunião, uma vez que os problemas "são mais que evidentes".

Segundo Carstens, os organismos internacionais disseram que, embora o mundo esteja enfrentado pressões inflacionárias e as crises dos alimentos e dos combustíveis, a América Latina está em condições muito melhores de lidar com as dificuldades.

"Os esforços efetuados pelos países da região deram frutos e nos permitem navegar em águas turbulentas", disse o secretário da Fazenda do México.

De acordo com dados do Banco Mundial, os preços dos alimentos subiram de maneira acelerada nos dois últimos anos no mundo todo, sobretudo os do trigo, que teve alta de 152%, o do milho, que disparou 122%, e o da carne, que avançou 20%.

Em 2007, os países da região onde foram registradas as maiores inflações foram: Venezuela, onde os preços subiram 20%, Nicarágua e Jamaica, em que o índice inflacionário foi de mais de 17%, e a Bolívia, onde o custo de vida subiu mais de 10%.

Segundo dados oficiais dos organismos internacionais, a América Latina foi uma das regiões que mais recebeu remessas do exterior, as quais passaram de US$ 60 bilhões no ano passado, ao passo que os investimentos estrangeiros diretos direcionados à região subiram 97% em relação a 2002, para US$ 102,8 bilhões.

Além disso, a formação bruta de capital na região passou de US$ 320 bilhões para US$ 690 bilhões entre 2002 e 2007.

Apesar desses números, nos países latino-americanos ainda há 50 milhões de pessoas vivendo na miséria, o que equivale a 25% da população dessas nações.

Durante o encontro, os ministros, que defenderam o aumento da produção e da produtividade agrícola, condenaram as políticas de controle de preço e das exportações de alimentos, pois essas não contribuem para uma solução real do problema.

Já o ministro da Fazenda do Chile afirmou que as soluções comuns para problemas similares começam pelo diálogo e que, na reunião, ficou claro que existem quatro linhas fundamentais dentro desses encontros.

A primeira é a troca permanente de informação financeira e econômica; a segunda, a difusão e a imitação das experiências bem-sucedidas; a terceira, a busca por uma maior integração regional; e, a última, o investimento em infra-estruturas de transporte e telecomunicações.

Participaram do encontro os ministros da Fazenda, Economia e Finanças de Brasil, Argentina, Barbados, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela. EFE jrm/bm/sc

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