Países da América Latina ganham mais peso político e econômico após Cúpula do

Céline Aemisegger. Washington, 15 nov (EFE).- Brasil, México e Argentina estabeleceram hoje as bases de mudanças para ganharem mais peso nas instituições financeiras internacionais, um reconhecimento dos outros líderes do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) que representa uma importante conquista para a América Latina.

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Os Chefes de Estado e de Governo do G20 se comprometeram hoje em Washington a reformarem as instituições a partir da Conferência de Bretton Woods - o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) - de forma que "reflitam mais adequadamente a mudança de peso econômico no mundo e aumentem sua legitimidade e eficácia".

Neste sentido, os líderes das nações desenvolvidas reconheceram em comunicado que as economias emergentes e em desenvolvimento, assim como os países mais pobres, "devem ter mais voz e representação" nestas duas instituições com sede em Washington.

Na mesma linha, o G20 decidiu que o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, sigla em inglês), com sede na Suíça, amplie "urgentemente" seu conselho para as economias emergentes, e recomendou que outras importantes organizações "revisem o mais rápido possível" sua lista de parceiros.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Cúpula do G20 foi histórica e representa uma mudança no panorama político mundial.

"Apenas posso dizer que o dia de hoje é histórico", declarou Lula.

"Saio daqui com a certeza de que a geografia política do mundo ganhou uma nova dimensão", afirmou o presidente brasileiro antes de se reunir com seu colega chinês, Hu Jintao.

O Brasil, assim como outros países latino-americanos, reivindicaram durante anos uma maior influência nos fóruns e instituições internacionais.

Durante a Cúpula em Washington, os países emergentes também conseguiram fazer com que os países ricos admitissem que a crise foi gerada em seu terreno e não nas nações emergentes e em desenvolvimento, como defenderam durante o encontro Brasil, México e Argentina.

O G20 afirmou que políticos, entes reguladores e de supervisão em "alguns" países avançados "não previram e atenderam adequadamente" os riscos que se acumularam nos mercados financeiros, entre outros erros.

Foi dito no comunicado final do encontro que "muitas economias dos mercados emergentes, que ajudaram a sustentar a economia mundial nesta década, estão experimentando ainda um bom crescimento, mas se vêem cada vez mais negativamente impactadas pelo arrefecimento global".

Após discursar na cúpula, a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ressaltou este fato e destacou que "o gatilho da crise e a falta de confiança foram gerados na primeira economia do mundo".

A líder argentina disse que a crise "marca o fim de um ciclo político e histórico que teve como eixo a auto-regulação dos mercados e o desaparecimento do Estado".

O presidente mexicano, Felipe Calderón, afirmou que "a crise não se originou nos países em desenvolvimento. Por outro lado, o dinamismo que teve a economia global pôde ser sustentado graças à vitalidade das economias emergentes".

Por isto, as medidas que serão tomadas a partir de hoje para superar a crise e evitar outras futuras serão voltadas, entre outras coisas, para apoiar os mercados emergentes e os países em desenvolvimento.

Neste contexto, os países latino-americanos presentes na cúpula, junto com outros países emergentes e em desenvolvimento conseguiram com que se inclua no comunicado sua demanda de ajuda para um maior acesso ao financiamento, inclusive através de instrumentos de liquidez e apoio a programas econômicos.

O Brasil insistiu durante a Cúpula na necessidade de que o documento incluísse uma meta para terminar as negociações sobre a Rodada de Doha antes do final do ano.

Calderón também considerou "indispensável" que se dê um impulso "decidido" à conclusão destas negociações comerciais. EFE cae/fal

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