Países da América Latina expressam apoio ao presidente do Equador

Em sessão extraordinária, OEA aprovou resolução de apoio a Rafael Correa em meio a crise institucional no país

iG São Paulo |

Os países da América Latina rechaçaram nesta quinta-feira qualquer tentativa de golpe de Estado denunciada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, e expressaram "solidariedade" ao líder diante da crise causada pelos protestos de policiais e militares.

Em sessão extraordinária do Conselho Permanente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução de apoio a Correa, em meio à crise institucional no país iniciada após protestos de forças de segurança . Representantes dos países que compõem a OEA rejeitaram qualquer tentativa de desestabilização da ordem constitucional no país. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, ofereceu "pleno apoio" da entidade a Correa.

AFP
Policial equatoriano detém simpatizante do presidente Rafael Correa, em Quito
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, que se encontra no Haiti, se comunicou com seu colega do Equador, Ricardo Patiño, para expressar-lhe "solidariedade" com o governo e "a democracia" no Equador.

Policiais e militares equatorianos saíram hoje as ruas para protestar contra um projeto de lei que elimina benefícios sociais e protagonizaram incidentes nos quais se viu envolvido inclusive o presidente Correa, quem denunciou tentativas de desestabilizar a democracia no Equador.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que Amorim "tomou conhecimento com preocupação das manifestações no Equador". O comunicado explica que Amorim "mantém informado" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sobre gestões em curso para uma resposta firme e coordenada do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da OEA".

Por sua vez, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou uma tentativa de golpe de Estado contra Correa e pediu aos povos da Unasul para que fiquem "alertas". "Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta, povos da Aliança Bolivariana! Alerta, povos da Unasul! Viva Correa!", expressou Chávez no Twitter.

O governo argentino também rejeitou "a sublevação de forças militares e policiais que põem em risco as instituições democráticas no Equador", condenou as "ações desestabilizadoras" e expressou apoio ao governo Correa.

"A América Latina não aceita mais ataques à democracia nem tentativas de burlar a vontade popular que se manifesta nas urnas. A Argentina estará à frente da defesa da democracia e dos direitos humanos juntamente com os países irmãos da Unasul e do Mercosul", acrescentou um comunicado do governo de Cristina Kirchner.

Respaldo

O governo mexicano manifestou respaldo ao presidente do Equador e expressou confiança de que as instituições desse país sul-americano encontrem uma solução perante a crise política que vive após um protesto policial.

"O governo do México expressa sua preocupação pelos fatos ocorridos hoje na República do Equador e que podem afetar a vida institucional nesse país irmão", indicou a Chancelaria mexicana em um breve comunicado. O Ministério das Relações Exteriores do México acrescentou que acredita que as "instituições encontrarão uma solução para esta situação no marco do Estado de Direito e mediante o diálogo e a conciliação".

O governo de Cuba também condenou "o golpe de Estado que se desenvolve no Equador", expressando "completo respaldo" ao presidente Correa e pedindo ao governo dos Estados Unidos a se pronunciarem contra a tentativa golpista, porque "uma omissão o tornaria cúmplice". Em Havana, o chanceler Bruno Rodríguez leu uma mensagem do governante Raúl Castro onde se expressa a "enérgica" rejeição de Cuba à tentativa golpista da "oligarquia e grupos conspiradores" do Equador.

Conspiração

O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou o que chamou de "vergonhosa conspiração" que enfrenta hoje seu colega do Equador, que, em sua opinião, busca dar um "golpe de Estado".

"Esta é uma nova tentativa de evitar à força e com violência, como ocorreu em Honduras, a imparável mudança revolucionária em toda a América Latina", diz uma carta enviada por Morales a Correa.

Evo acusou ainda o governo dos Estados Unidos de apoiar o golpe de Estado contra Correa. "Como sempre os adversários políticos da América Latina, aliados do governo dos Estados Unidos, tentam acabar com mandatos; quando não podem com referendo, (tentam) com golpe de Estado. A história se repete", assegurou Morales.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, também expressou o "mais absoluto respaldo" de seu governo a Correa. Piñera, que disse ter falado "profunda e extensamente" com seu colega equatoriano, expressou "pleno e total apoio à ordem constitucional, à democracia e ao governo constitucional do presidente Rafael Correa".

Já o vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón, ressaltou que seu país só reconhece como governo "legítimo" do Equador o que é liderado por Correa. “Nós reconhecemos como o Governo legítimo do Equador o Governo que é liderado pelo presidente Rafael Correa", indicou Garzón à imprensa em Bogotá.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, expressou rejeição perante a "sublevação de setores armados" enfrentada pelo Governo do Equador e condenou os que buscam desestabilizar a democracia nesse país.

O secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o argentino Néstor Kirchner, declarou o firme "compromisso e a mais absoluta solidariedade" com Correa.

Hugo Chávez anunciou que os chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizarão uma reunião de emergência em Buenos Aires para analisar a rebelião de policiais e militares no Equador.

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antonio Patriota, representará o governo brasileiro na reunião extraordinária que será realizada na noite de quinta-feira em Buenos Aires para analisar a crise no Equador.

O secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou profunda preocupação com a evolução dos acontecimentos no Equador e respaldou a resolução da OEA.

Europa

O governo espanhol foi outro que expressou total respaldo ao Executivo do Equador e às instituições democráticas desse país perante as notícias de uma "tentativa de golpe de Estado" e condenou "qualquer ruptura da legalidade constitucional".

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, expressou nesta quinta-feira seu "total apoio" ao chefe de Estado do Equador e condenou as "tentativas de pôr em questão a ordem constitucional" nessa nação andina, segundo um comunicado do Eliseu.

*Com Reuters, AFP, BBC e EFE

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