Presidenta Dilma Rousseff afirmou que ONU deveria também fiscalizar arsenais nucleares das potências militares

Diretor da AIEA, Yukiya Amano, falou sobre necessidade de medidas de segurança mais rigorosas
AP
Diretor da AIEA, Yukiya Amano, falou sobre necessidade de medidas de segurança mais rigorosas
Os 151 Estados-membros da agência nuclear da ONU apoiaram um plano de ação nesta quinta-feira para ajudar a fortalecer a segurança nuclear mundial depois do acidente de Fukushima no Japão, apesar de críticas de alguns países de que o acordo não era o suficiente.

A Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), realizada anualmente em Viena, aprovou por consenso o plano preparado pelo gabinete do diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano.

"Para fortalecer ainda mais a segurança nuclear mundial, esse plano de ação precisa ser implementado de modo rápido e efetivo por meio de medidas concretas", disse o enviado do Japão à AIEA, Takeshi Nakane, na reunião.

Depois do terremoto e tsunami massivos que atingiram o Japão em 11 de março, barras de combustível nuclear na usina de Fukushima, no nordeste do país, começaram a derreter em decorrência da falha nas funções de resfriamento, provocando um vazamento de radiação e obrigando a retirada de 80 mil residentes das áreas próximas.

O plano de ação, que delineia uma série de medidas voluntárias que têm como objetivo impedir qualquer repetição do acidente ocorrido no Japão em alguma parte do mundo, havia sido aprovado pelo conselho dirigente da AIEA, composto por 35 nações, na semana passada, também por consenso.

Mas o debate no conselho ressaltou as divergências entre os países que buscam maiores compromissos internacionais e outros que preferem que a segurança continue sendo uma questão estritamente de responsabilidade das autoridades nacionais.

O desastre dos reatores em Fukushima em março instigou uma reavaliação sobre a energia nuclear em todo o mundo e ressaltou a necessidade de medidas mais coordenadas, incluindo verificações de segurança mais intensas para reatores, para garantir que tal acidente não se repita.

Um grupo de nações - que inclui a Alemanha, a França, a Suíça, Cingapura, Canadá e Dinamarca - manifestaram decepção com a versão final do plano de ação da AIEA por não incluir medidas mais firmes.

"Ouvimos frequentemente que os Estados soberanos por si mesmos têm a responsabilidade de garantir a segurança de suas instalações nucleares", disse o embaixador canadense John Barrett, na reunião dos países-membros da AIEA nesta semana.

Mas "eles também têm a responsabilidade de garantir a seus vizinhos e outros da comunidade internacional que o uso da energia nuclear é seguro - porque acidentes nucleares, se ocorrerem, não respeitam as fronteiras nacionais nas suas consequências".

Os Estados Unidos, a Índia, a China e o Paquistão estão entre os países que estão defendendo a responsabilidade das autoridades nacionais, deixando claro que são contra medidas que determinem inspeções de segurança externas para suas instalações nucleares.

Em pronunciamento na conferência na segunda-feira, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, disse que os EUA apoiavam a implementação de um plano de ação "para discutir as lições aprendidas em Fukushima".

"Devemos, no entanto, manter o papel central das reguladoras nacionais e das operadoras das usinas para alcançar os objetivos de segurança."

A presidenta Dilma Rousseff afirmou que, apesar das atribuições da AIEA se limitarem a examinar o emprego da energia nuclear para fins pacíficos, os arsenais nucleares das potências militares também deveriam ser alvo de escrutínio da ONU.

Dilma defende mais rigor sobre países que ameaçam o mundo com armas nucleares
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma defende mais rigor sobre países que ameaçam o mundo com armas nucleares

"Seria, sem dúvida, necessário, para fins de segurança fiscalizar ambos. É imperativo ter num horizonte previsível a eliminação completa e irreversível das armas nucleares", afirmou a presidente. "A ONU deve se preocupar com isso."

Segundo Dilma, "o desarmamento nuclear é fundamental para a segurança, pilar do tratado de não proliferação cuja observância as potências nucleares devem ao mundo".

A presidenta afirmou também que cortes orçamentários causados pela crise econômica global têm prejudicado programas de manutenção e de modernização das ogivas nucleares, agravando os riscos desses arsenais à segurança global.

"A posse desses arsenais por apenas algumas nações cria para elas direitos exclusivos. É resquício de um conceito assimétrico do mundo, formada no pós-guerra, que já deveríamos ter relegado ao passado."

Com Reuters e BBC

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