Após anos de florescência, a economia dos países bálticos sofre em cheio a crise financeira e econômica mundial à qual resistem outras nações da nova Europa - como Polônia, Eslováquia ou República Tcheca -, segundo as previsões publicadas nesta segunda-feira pela Comissão Européia.

Pela primeira vez, Estônia e Letônia, que conheceram nos últimos anos um "boom" sem precedente, podem mergulhar na recessão: Tallinn verá seu Produto Interno Bruto recuar de 1,2% em 2009, bem longe do crescimento de 4,8% anunciado na primavera, enquanto Riga cairá de +2,5% à -2,7%, segundo as previsões mais recentes da Comissão.

Num momento em que a Letônia demonstrava em 2007 um crescimento econômico recorde de 10,7%, a crise financeira global ampliou o choque causado por uma reviravolta no setor imobiliário, ao mesmo tempo em que a redução nas exportações atingia um setor já enfraquecido pelos custos em aumento, segundo Bruxelas, que prevê, também, um agravamento da taxa de desemprego da ordem de 6,5% em 2008 a 9,2% em 2009.

Já as esperanças de a Lituânia ser poupada das conseqüências da crise parecem menos realistas", com um crescimento nulo previsto para 2009.

Além disso, os três países bálticos registram uma queda acumulada dos investimentos e da demanda interna, com índices de confiança em baixa tanto em relação a empresas quanto a consumidores, segundo análise da Comissão Européia.

Em revanche, as previsões de crescimento mantêm-se positivas em outros países do Leste que entraram na União Européia em 2004, apesar de uma revisão em baixa: assim, para a Polônia, o peso pesado regional, as cifras foram revistas de 5% a 3,8% para 2009; para a República Tcheca, de 5% a 3,6%, para a Eslovênia, de 3,8% a 2,9%.

"O setor financeiro polonês que é dominado pelos bancos internacionais com uma base sólida de depósitos provou que resistia à crise financeira global", destaca a Comissão.

Com uma perspectiva de crescimento do PIB de 5,4% para 2008, a Polônia pode, ainda, suscitar o ciúme da zona euro que deverá este ano enfrentar sua primeira recessão técnica desde a criação da moeda única em 1999.

A Eslováquia, que se prepara para se somar à zona euro em 1° de janeiro, beneficia-se por sua vez das previsões mais otimistas da região com um crescimento estimado em 7% para 2008 e 4,9% em 2009.

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