Países árabes tentam censurar site que promove laicismo

Jorge Fuentelsaz. Cairo, 26 nov (EFE) - Um dos sites mais proibidos no mundo árabe é uma página espanhola que busca promover o laicismo, os princípios democráticos e o desenvolvimento da sociedade civil, segundo uma rede de ONGs árabes com sede no Cairo. O domínio www.3almani.

EFE |

org, que em árabe significa laico, foi criado em março de 2007 "com a intenção de mostrar que o laicismo não é sinônimo de ateísmo, idéia muito divulgada no mundo islâmico, mas a base de uma democracia na qual todos os cidadãos são iguais perante a lei, independente da religião que professarem".

A afirmação foi feita à Agência Efe por um dos criadores do site, que pediu para ser identificado como Naji Nasr.

A página, cuja logomarca é um farol que ilumina na escuridão um mar revolto e cujo nome completo é "A rede dos árabes laicos", oferece artigos escritos por árabes de todo o mundo sobre religião, política, filosofia, arte ou literatura.

O diretor-executivo da Rede Árabe para a Informação sobre os Direitos Humanos (RAIDH), Jamal Aid, acredita que "o estranho de tudo isto" e ao contrário do que muitos pensam, é que "as paginas web laicas, liberais ou que apóiam a democratização têm muito mais problemas nos países árabes que as páginas religiosas ou radicais".

Isso acontece, segundo os dois, porque estes países, à frente dos quais situam o laico Tunísia e o ultraconservador Arábia Saudita, não suportam a crítica política e rejeitam reformas democráticas ou o império da lei.

O diretor da RAIDH denuncia que as páginas religiosas, embora mantenham posturas muito radicais, não são proibidas, até que não fique claramente demonstrado que defendem o recurso à violência.

Isto se deve a que, por um lado, costumam manter-se à margem da política e, por outro, utilizam um discurso religioso apoiado em textos sagrados contra o que as autoridades preferem não intervir.

O www.3almani.org, que, segundo os criadores, recebe em torno de duas mil visitas diárias, principalmente da Arábia Saudita, Egito, Kuwait, Líbano, Jordânia e Barein, denunciou há algumas semanas à RAIDH que o site tinha sido censurado em dois países.

No entanto, acrescenta o diretor da RAIDH, "após falar com os voluntários de nossa organização, comprovamos que não era censurada só em dois países, mas está proibida em cinco - Arábia Saudita, Emirados, Tunísia, Barein e Síria -, com o que se transformou na página mais censurada no mundo árabe".

Nasr, que mora na Espanha, confessa que não só têm que lidar com esta censura, mas também com os ataques de "hackers" islâmicos que, com o nome de "Mujahedins do islã na internet contra o laicismo", bloquearam a página pouco após a criação e postaram nela acusações de falta de piedade, ameaças e apelos à conversão.

Após esta experiência, que provocou o desânimo e inclusive o abandono de um dos criadores, que tinham se conhecido em diferentes fóruns da internet, a página ressurgiu em maio de 2007 com um sistema de segurança mais sólido.

Desde então, seguem fiéis à idéia que fez com que o projeto surgisse e receberam colaborações de 400 escritores, autores ou ativistas políticos árabes, assim como de organizações, que, como eles, defendem o laicismo.

Em diferentes "quartos" do site, os membros que se cadastram fazem mesas-redondas e participam de chats entre si e com os convidados para discutir e promover um diálogo sem censuras, impensável em muitos de seus países de origem.

Embora até agora a página tenha resistido às abordagens dos mais fanáticos e radicais, o www.3almani.org começa a sucumbir perante a censura de alguns Estados árabes. EFE jfu/db

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