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Países árabes querem resolução do Conselho de Segurança sobre agressão na Faixa de Gaza

Os países árabes decidiram nesta quarta-feira no Cairo pedir ao Conselho de Segurança da ONU a adoção de uma resolução obrigatória exigindo de Israel o fim imediato da agressão na Faixa de Gaza.

AFP |

Cinco dias depois do início dos bombardeios israelenses à Faixa de Gaza, que já deixaram quase 400 mortos, a Liga Árabe realizou reunião extraordinária em sua sede, no centro do Cairo, para elaborar esta posição comum.

Uma delegação ministerial árabe, que será presidida pelo ministro saudita de Relações Exteriores, Saud al-Fayçal, viajará com este objetivo à sede da ONU em Nova York.

O projeto de resolução preconizado pelos países árabes pede a Israel "cessar imediatemente sua agressão" qualificada de "bárbara" contra o povo palestino, além de "levantar o bloqueio e de pôr um ponto final à sua política de punição coletiva". Defende também "garantias para a aplicação de um cessar-fogo", entre as partes em conflito, Israel e o movimento islamita palestino Hamas.

O texto não fala sobre uma convocação de uma cúpula árabe extraordinária, sugerida pelo Qatar.

Saúda o Egito por ter aberto o terminal de Rafah a "uma ajuda humanitária de emergência" com a Faixa de Gaza e insiste, enfim, sobre "a importância da reconciliação" entre grupos palestinos.

O chefe da Liga Árabe, Amr Mussa, havia conclamado, antes, as facções palestinas rivais a se reconciliarem rapidamente para enfrentar a crise.

"Conclamamos os irmãos palestinos a organizarem imediatamente uma reunião de reconciliação", declarou Mussa na abertura da reunião extraordinária dos ministros árabes das Relações Exteriores.

O apelo de Mussa foi feito depois de uma declaração do chefe da diplomacia saudita, Saud al-Fayçal, afirmando que os países árabes não poderão "estender a mão" aos palestinos enquanto os diferentes grupos estiverem divididos.

"Chegou a hora de as facções palestinas se encontrarem em uma reunião decisiva para favorecer a instauração de um governo de união nacional", acrescentou o ministro saudita.

O Fatah, do presidente palestino Mahmud Abbas, e o Hamas, mantêm um conflito aberto desde a tomada da Faixa de Gaza pelo movimento radical, em junho de 2007. Hoje, Abbas controla apenas a Cisjordânia.

Tanto o secretário-geral da Liga Árabe como o chanceler saudita, que falaram antes do início da reunião a portas fechadas, condenaram a operação israelense.

O príncipe Saud al-Fayçal a qualificou de "massacre horrível", e Mussa considerou que "ela não faz diferença entre as crianças, as mulheres e os idosos".

Com exceção da Somália e de Comores, representados por seus delegados, todos os membros da Liga Árabe enviaram seus respectivos chanceleres à reunião, qye teve como objetivo elaborar uma resposta comum aos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.

Israel, por sua vez, informou nesta quarta-feira que está estudando diversas propostas internacionais de "trégua permanente sob certas condições", mas descartou a proposta francesa de cessar-fogo provisório.

Enquanto as populações árabes estão muito mobilizadas contra a operação israelense, seus dirigentes têm se mostrado até agora incapazes de tomar decisões, inclusive iniciativas diplomáticas.

"Os países árabes poderiam fazer muito contra Israel, mas como são divididos, não conseguirão fazer nada", considerou Mustafá Kamel al-Sayed, professor de ciências políticas na universidade de Cairo.

Terça-feira, o Egito se recusou a ceder às pressões do Hamas e do Hezbollah, que pediram a abertura permanente de sua fronteira com a Faixa de Gaza, exigindo como condição prévia o retorno da Autoridade Palestina a este território.

O ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Abul Gheit, declarou na terça-feira que pretendia propor um plano de ação baseado em "um cessar-fogo imediato, um retorno à trégua, a abertura dos pontos de passagem e um mecanismo internacional ou árabe para garantir a aplicação deste acordo".

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