Países andinos tentam salvar negociação com UE

Fernando Arroyo León. Guayaquil (Equador), 14 out (EFE).- Os países andinos puseram hoje um freio em suas divergências e decidiram tentar salvar a negociação do acordo de associação com a União Européia (UE), que ameaçava fragmentar os membros do grupo sul-americano.

EFE |

Por isso, os presidentes da Comunidade Andina (CAN), que hoje realizaram uma cúpula na cidade equatoriana de Guayaquil, decidiram solicitar à UE uma nova reunião para destravar a negociação.

A reunião não contou com a participação do presidente colombiano, Álvaro Uribe, pelos desacordos diplomáticos que mantém desde março com o Equador, e que foi representado pelo ministro de Comércio Exterior, Eduardo Muñoz.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, que participou da reunião, disse que embora existam divergências internas, a CAN decidiu tentar salvar a negociação com a UE, apesar deste bloco ter determinado avançar os acordos comerciais com Colômbia e Peru, deixando de lado Equador e Bolívia.

Os presidentes do Equador, Correa; da Bolívia, Evo Morales; e do Peru, Alan García, que participaram da Cúpula, assim como o representante do Governo da Colômbia, expressaram, além disso, a necessidade de manter a integração andina, além dos desacordos.

Também decidiram convocar o Chile, que atualmente é membro associado da CAN, assim como México e Panamá, que solicitaram sua integração ao grupo.

Correa insistiu em que a CAN tem a firme posição de levar adiante uma negociação com a Europa, mas que dadas as circunstâncias, deve se ajustar às "distintas velocidades" ditadas por cada um dos países andinos.

Por sua vez, o presidente peruano disse que a cúpula foi "excelente", porque se pôde "dialogar muito" e resolver as dificuldades.

García lembrou que se propôs solicitar uma reunião com o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, a quem será colocado o esforço dos países andinos para garantir seu direito de "negociar em conjunto".

Esse encontro, que poderá ocorrer no final de outubro em San Salvador, aproveitando uma Cúpula Ibero-Americana, permitiria, de acordo com García, destravar a negociação.

"Espero que (essa reunião) seja muito produtiva para abrir os temas" das conversas, para ver "se há possibilidade de fazer uma negociação conjunta com velocidades diferentes", ou se a UE decide "fazê-la de maneira bilateral ou por grupos menores" da CAN, disse.

Segundo García, pode ser que a CAN aceite a posição assumida pela UE, "ou vice-versa, que a posição dos países andinos seja respeitada pela União Européia".

"Vamos ver se é possível para o presidente Barroso (...), se encontrar conosco no dia 28, 29 ou 30 deste mês em San Salvador", comentou e afirmou que reunião teria "uma enorme importância", pois poderia definir "as fórmulas de negociação".

Ele descartou que as divergências internas na CAN ponham em risco o processo de integração regional porque, a seu critério, a unidade andina "é independente dos atores, das leis e das instituições".

"Os povos andinos estão vinculados social, geográfica e etnicamente e seu comércio se fortalece" permanentemente, o que torna impossível que sua integração seja afetada, acrescentou García, após insistir em que a negociação com a UE é um assunto importante para os quatro membros da CAN.

O comércio bilateral entre a CAN e a UE soma cerca de US$ 20 bilhões anuais e os acordos poderiam supor um mercado potencial de 500 milhões de habitantes, segundo a CAN. EFE fá/ab/jp

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