O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse nesta segunda-feira à Rede Eldorado de Rádio que a reação do governo diante do caso da brasileira Paula Oliveira, que diz ter sido atacada por neonazistas na Suíça, foi prudente.

"Se não tivéssemos tido uma reação naquele momento, fundada nas informações que nos chegavam, que a grande verdade é essa, o governo sem dúvida nenhuma seria acusado de leniência no que diz respeito à defesa dessa cidadã brasileira", afirmou.

Paula afirma ter sido alvo de um ataque de skinheads em uma estação ferroviária nos arredores de Zurique na semana passada. Dias depois da denúncia, investigadores suíços disseram que os ferimentos poderiam ter sido feitos por ela mesma.


Corpo de brasileira foi marcado com sigla de partido de extrema direita / AE

Segundo ele, a alusão do governo a racismo e xenofobia em relação ao ataque na Suíça não foi desmedida, já que o partido que aparece nos ferimentos de Paula, o SVP, fez a sua campanha política nos últimos anos baseada concretamente na hostilidade aos estrangeiros.

O assessor de Lula afirmou ainda que o governo fará um pedido formal de desculpas se for provado que a brasileira não foi agredida.

"Evidentemente, havendo esclarecimento e tendo sido desconstruída a versão de um ataque, o governo não se furtará de apresentar as escusas necessárias", comentou.

"Acho que vamos ter de esclarecer exatamente o que houve. Pode ser que ela não esteja grávida, mas não está descartada totalmente a hipótese de que ela tenha sido objeto de ataques. Se ela não foi objeto de ataques, se trata evidentemente de um caso mais complexo, que escapa até um pouco do domínio policial, vai mais para o psiquiátrico, se podemos assim dizer", afirmou.

Garcia afirmou ainda que a reação da cônsul brasileira em Zurique, Vitória Clever, e do chanceler Celso Amorim, que afirmou que o ataque teria conotação xenófoba, foi motivada pela preocupação com o bem-estar dos brasileiros que se encontram no exterior.

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* Com AFP e Agência Estado

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