Pais de Madeleine pedem à UE sistema de alerta para seqüestros de crianças

Bruxelas, 10 abr (EFE).- Gerry e Kate McCann, pais da menina Madeleine, desaparecida em Portugal em maio de 2007, pediram hoje, no Parlamento Europeu, o estabelecimento de um sistema de alarme em toda a União Européia (UE), diante do aumento do número de casos de desaparecimento de crianças no continente.

EFE |

O casal defende um projeto de resolução promovido por eurodeputados britânicos, que pedem que se importe para a UE o sistema de alerta americano conhecido como "Amber", que funciona nos Estados Unidos desde 1998.

Segundo Gerry, o sistema, que envolve a Polícia, oficiais de fronteira e transportes, o serviço nacional de meteorologia e a imprensa, permitiu que fossem salvas, desde sua criação, 393 crianças.

A rede de alerta americana se baseia na difusão urgente do anúncio do desaparecimento do menor, acompanhado de uma fotografia, dados básicos e de um telefone de contato, através de cartazes, breves e freqüentes avisos na televisão, no rádio e na internet.

"As primeiras horas após o desaparecimento são cruciais", disse Kate, que citou também um mecanismo similar que funciona na França, com resultados bem-sucedidos.

O objetivo de levar algo parecido com o alerta "Amber" para a União Européia é possibilitar que o desaparecimento da criança seja conhecido rapidamente não só na região onde aconteça, mas também nas fronteiras.

"Se uma criança desaparece em Luxemburgo, é preciso alertar Alemanha, França e Bélgica, porque em muito pouco tempo o seqüestrador pode ter cruzado essas fronteiras. O mesmo deve acontecer com Portugal e Espanha", disse Gerry, em alusão ao caso de Madeleine.

O projeto parlamentar apóia também a criação de uma organização comum européia especializada em seqüestros de crianças, para auxiliar as investigações das autoridades nacionais.

O texto precisa obter a assinatura de mais da metade dos 785 eurodeputados em um prazo de três meses para ter aval oficial do Parlamento Europeu, embora, mesmo nesse caso, não teria valor legal.

A adoção do sistema cabe, em última instância, ao Conselho da UE, formado por Governos nacionais, que já se mostraram pouco entusiasmados com o plano.

Kate e Gerry McCann compareceram perante a imprensa ao lado de seu porta-voz mas, por um imperativo legal português, não responderam a perguntas sobre a investigação do caso.

Quando inquiridos sobre se a situação de suspeitos não tornaria inoportuno o vínculo deles com este tipo de campanha, o porta-voz afirmou que o casal "não esta sendo acusado, nem é suspeito de nenhum crime".

"O caso evolui, mas não sabemos por mais quanto tempo vamos continuar sendo considerados suspeitos. Enquanto isso, é possível instalar um sistema que ajude outras pessoas", explicou Gerry.

O casal não confirmou se participará da reconstrução dos fatos ocorridos na noite do desaparecimento de Madeleine pela Polícia portuguesa.

"O que faremos nessa noite é um assunto privado", afirmou Kate, após uma pergunta sobre o assunto. EFE adp/rr/gs

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