Pai teme por jornalista dos EUA que faz greve de fome no Irã

Por Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O pai da jornalista iraniano-americana presa no Irã sob suspeita de espionagem disse na segunda-feira que teme pela vida dela, que faz greve de fome há uma semana.

Reuters |

Reza Saberi disse que ele e sua esposa, Akiko, visitaram a filha Roxana no domingo na penitenciária de Evin, em Teerã. Levaram-lhe flores por ocasião de seu 32o aniversário.

"Ela está muito, muito fraca e frágil ..., está em má condição. Mal consegue se levantar", disse o pai, de 68 anos, à Reuters. "Estou preocupado com a saúde ela. Estou preocupado com sua vida."

Ele contou que pediu à filha que suspendesse o protesto, mas que ela não quis falar no assunto durante os 20 minutos de visita. A jornalista rejeita alimentos desde terça-feira, segundo Saberi.

Roxana Saberi, jornalista free-lance nascida nos EUA, foi sentenciada no dia 18 a oito anos de prisão. O veredicto ameaça complicar os esforços de reconciliação dos EUA com o Irã, após três décadas de mútua desconfiança.

Saberi, que tem cidadania dos EUA e do Irã, foi detida no final de janeiro, por trabalhar com sua credencial de imprensa vencida (ela colaborava com a BBC e com a Rádio Pública Nacional dos EUA). Ela posteriormente foi acusada de espionar para os EUA.

Washington rejeita a acusação e exige sua libertação imediata. O presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou preocupação com ela, e a secretária de Estado Hillary Clinton disse que sua libertação seria um gesto de boa vontade de Teerã.

O Irã, que não reconhece a dupla nacionalidade, diz que Washington deveria respeitar a independência do Judiciário local. "O caso dela não tem nada a ver com países estrangeiros", disse Hassan Qashqavi, porta-voz da chancelaria local, em entrevista coletiva. "Como ela é cidadã iraniana, todos os argumentos apresentados por estrangeiros não fazem sentido", disse ele.

Um advogado da ré afirmou no sábado que recorreu contra a pena. Reza Saberi, que se mudou para os EUA em 1973 e voltou a Teerã após a prisão da filha, afirmou que o caso deve chegar ainda na segunda-feira ao tribunal de recursos.

A advogada iraniana Shirin Ebadi, Nobel da Paz de 2003 por sua militância pelos direitos humanos, aceitou participar da defesa da jornalista, mas um membro da equipe de Ebadi foi proibido de visitar Roxana Saberi no domingo, segundo um assessor da advogada.

A entidade Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, disse que a condenação de Saberi foi "injusta sob o código penal iraniano", e serve de alerta para jornalistas que cubram a eleição presidencial iraniana de junho.

A Anistia Internacional disse que Saberi virou "um peão nos atuais fatos políticos" entre Irã e EUA.

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