Pai encontra filha seqüestrada durante guerra da Bósnia 16 anos depois

Uma bebê seqüestrada por soldados sérvios durante a guerra da Bósnia se encontrará finalmente com seu pai, 16 anos depois, graças a investigações e exames de DNA, informou nesta segunda-feira a Cruz Vermelha.

AFP |

Em maio do ano passado, Muhamed Becirovic voou da Alemanha, onde mora hoje, para a Sérvia, após um telefonema do serviço social da Cruz Vermelha, informando que sua filha, Senida - levada em abril de 1992 e que ele pensava estar morta - havia sido encontrada.

"Eu não acreditava que pudesse ser verdade. Eu estava em choque, mas mesmo assim viajei imediatamente para a Sérvia", contou Becirovic à AFP, falando por telefone de sua casa, na Alemanha.

Análises de DNA confirmaram que a menina, que vivia em um abrigo infantil em Sremska Kamenica, perto da cidade de Novi Sad, no norte da Sérvia, era de fato sua filha mais nova.

Em abril de 1992, no início da guerra, Becirovic descobriu que Senida, na época um bebê de seis meses, havia sido levada por soldados sérvios junto com a irmã, Sanda, de quatro anos, e a mãe. A família morava no vilarejo bósnio de Caparde.

Na época, Becirovic trabalhava na cidade de Tuzla, no norte da Bósnia. Não podendo voltar para casa, ele permaneceu lá até 1995, quando foi ferido e evacuado para a Alemanha, onde recebeu tratamento médico.

Após o seqüestro, Senida foi entregue a uma sérvia bósnia, já idosa, que não conseguiu cuidar da menina e a entregou para adoção na Sérvia.

Ela foi adotada e recebeu o nome de Mila. Sua nova família, os Jankovics, só foram identificados em Belgrado há um ano, quando ela foi deixada no abrigo por "mau comportamento", disse Becirovic.

Depois da guerra, Becirovic denunciou o desaparecimento de sua família junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, e passou os últimos 16 anos na esperança de que pelo menos seus corpos fossem identificados em meio às centenas de valas comuns cavdas pelo exército sérvio.

Senida chegou à Bósnia nesta segunda-feira, onde foi ajudada por oficiais da Cruz Vermelha a conseguir documentos com seu nome verdadeiro.

"Ela disse que ainda precisava de mais tempo para pensar, mas que provavelmente escolheria morar com o pai na Alemanha", indicou à AFP Safet Sahanovic, representante da Cruz Vermelha.

Quinze mil pessoas ainda são consideradas desaparecidas da guerra da Bósnia (1992-1995), que causou pelo menos 100.000 mortes.

sar/ap/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG