Pai é acusado de sequestrar suposto assassino da filha

Começou na terça-feira em Mulhouse, na França, o julgamento de um aposentado francês acusado de envolvimento no sequestro do homem condenado por ter matado sua filha.

BBC Brasil |

André Bamberski é pai de Kalinka Bamberski, que em 1982, aos 14 anos, foi encontrada morta na casa onde passava férias na Alemanha, com a mãe e o padrasto, o médico alemão Dieter Krombach.

Na época, um autópsia não conseguiu estabelecer a causa da morte e Krombach não foi indiciado pela polícia alemã.

Mas em 1995 uma corte francesa realizou um julgamento à revelia e condenou Krombach a 15 anos de prisão por violência deliberada levando a morte não intencional.

As autoridades alemãs se recusaram a extraditá-lo.

Proposta

Seu sequestro teria sido uma tentativa de levá-lo da Alemanha para a França para que fosse entregue à Justiça.

Bamberski, no entanto, nega ter planejado e se envolvido diretamente no sequestro.

Ele conta ter sido contactado em outubro por um homem que se oferecia para realizar o crime. Este homem foi depois identificado como sendo o kosovar Anton Krasnicqi, que mora na Áustria.

"Me encontrei com Krasnicqi em Bregenz, na Áustria, em 9 de outubro, e simplesmente aceitei a proposta que ele me fez de trazer Krombach da Alemanha para a França", disse Bamberski a jornalistas após sua primeira audiência em Mulhouse.

"Krasnicqi queria fazer o que fez, mas não é um profissional deste tipo de operação", afirmou.

O médico Krombach foi encontrado pela polícia francesa em Mulhouse depois de uma denúncia anônima feita por "um homem com sotaque do Leste Europeu". Bamberski tem origem polonesa.

Os dois homens foram imediatamente presos, mas Bamberski agora responde ao processo em liberdade.

O governo da Alemanha está tentando repatriar Krombach e emitiu um mandado europeu de prisão contra Bamberski, o que será decidido nesta quinta-feira.

Choque

A morte de Kalinka Bamberski chocou a França. A jovem foi encontrada com sinais de picadas de agulha nos braços e um ferimento na área genital.

Krombach disse que a morte foi um acidente depois que ele lhe aplicou uma injeção para combater anemia.

Já o pai da garota acredita que ela havia sido sedada e depois estuprada.

Três anos após o caso, uma exumação mostrou que seus órgãos genitais haviam sido retirados antes do enterro.

Em 1997, o médico alemão foi condenado em seu país por abuso sexual de uma paciente de 16 anos.

Leia mais sobre sequestro

    Leia tudo sobre: seqüestro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG