Pai desiste de batalha na Justiça para manter filho vivo

O pai que havia iniciado uma batalha judicial para impedir que um hospital britânico desligasse os aparelhos que mantêm vivo seu filho de um ano decidiu nesta terça-feira retirar sua oposição à medida. O menino, chamado apenas de Bebê R.

BBC Brasil |

B. por motivos legais, nasceu com uma rara doença muscular conhecida como Síndrome Miastênica Congênita, que dificulta sua respiração sem aparelhos.

Ao contrário do pai, a mãe concordava com a opinião do hospital, que defende o desligamento dos aparelhos.

Mas o pai acabou mudando de ideia depois de ser informado por especialistas que havia provas sugerindo que a retirada do equipamento seria melhor para a criança.

Exemplares
O juiz do caso elogiou a decisão do pai, dizendo que ela é "triste, mas inevitável".

"Desde o nascimento desse bebê, estava claro que ele estava sofrendo profundamente", afirmou o juiz.

A corte decretou que, a partir de agora, é legal retirar os aparelhos que mantêm a criança viva.

Para o juiz, os pais agiram de maneira exemplar.

"Acredito ser impossível para qualquer um de nós ter a ideia exata do impacto desta situação na vida desses pais tão jovens", afirmou. "De repente, todas as expectativas e sonhos que eles tiveram para seu bebê foram jogados fora e substituídos por uma vida de preocupação, estresse, exaustão, confusão e imensa tristeza."
Tanto o pai quanto a mãe choraram quando o juiz decretou o veredicto.

"Apesar de terem se separado, os pais de R. B. sempre estiveram juntos na vontade de dar o melhor cuidado possível a seu filho. Eles estiveram ao lado dele diariamente nestes 13 meses", afirmaram os advogados do casal, em um comunicado conjunto.

Eles disseram ainda que a decisão de desligar os aparelhos foi "agonizante".

"Os pais agora querem passar todo o tempo que resta ao lado de seu amado filho", concluíram.

'Miserável'
Segundo representantes do hospital, o menino teria uma "existência muito infeliz" pela frente, mesmo se fosse realizada uma traqueostomia para tentar facilitar sua respiração e permitir que ele fosse para casa.

Vários especialistas afirmaram no tribunal que a criança viveria com deficiências profundas e não teria qualidade de vida.

Os advogados do pai chegaram a argumentar, no entanto, que o cérebro do menino não era afetado pela doença, o que significa que ele pode ver, ouvir, interagir e brincar.

Estima-se que 300 pessoas sofram da condição no Reino Unido, com diferentes graus de severidade.

Alguns dos bebês que herdam a doença morrem pouco depois de nascer, enquanto outros vivem uma vida relativamente normal com a ajuda de remédios.

Nenhuma das partes envolvidas no caso pode ser identificada por razões legais.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG