RIO DE JANEIRO - O pai biológico do menino S.G., David Goldman, fez nesta sexta-feira um apelo emocionado à Justiça para obter a guarda do filho de 9 anos, que vive com o padrasto e a avó materna no Rio de Janeiro.

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David Goldman mostra carta enviada ao filho que, segundo ele, foi devolvida

David Goldman mostra carta ao filho que, segundo ele, foi devolvida

A guarda da criança é disputada desde a morte da mãe do menino, Silvia Bianchi, no ano passado. A questão envolve o pai norte-americano, que chegou ao Brasil na quinta-feira, e o padrasto, o advogado João Paulo Lins e Silva.

"Estou de joelhos, implorando para ter meu filho de volta. Imploro por justiça. Por que é tão difícil? Por quê?", disse Goldman a jornalistas na porta do hotel onde está hospedado na zona Sul do Rio de Janeiro.

Na última quarta-feira, o Tribunal Regional Federal da cidade determinou que a guarda do menino deveria ficar com o pai biológico e que Sean Goldman deveria retornar aos Estados Unidos até esta sexta-feira.

No entanto, na quinta-feira uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) foi concedida a favor da família materna da criança e impediu o retorno do menino aos EUA com o pai.

"É um caso simples. Eu sou o pai biológico de Sean", afirmou. "É cruel, trágico e muito triste. Meu filho está sofrendo e perdendo sua inocência de criança. Ele não merece isso".

O mérito do caso será julgado pelo STF apenas no ano que vem, mas advogados de Goldman pretendem apelar ao STF para tentar uma decisão antes. "Ainda tenho esperança de passar o Natal com meu filho", declarou Goldman, que não sabe até quando permanecerá no Brasil.

Em seu pedido ao STF, a avó materna de Sean disse que o menino deseja ficar no Brasil e afirmou que a opinião da criança deveria ser ouvida em juízo.

Goldman reclamou que o padrasto e a família da ex-mulher têm pressionado Sean e proibido seu contato com o filho. Ele apresentou cartas enviadas ao filho que foram devolvidas pelos Correios.

"É uma intimidação permanente. O menino está com medo e assustado", disse ele, que estava acompanhado de um parlamentar norte-americano.

Para a porta-voz do Consulado dos EUA, Orna Blun, Sean foi "sequestrado" dos EUA pela mãe do garoto, que viajou com ele ao Brasil em 2004 para uma viagem de férias. Ela, no entanto, permaneceu no país e casou-se com Lins e Silva, com quem teve uma filha. "Com base na Corte de Haia esse é um caso de abdução ou sequestro e de retenção ilegal", afirmou.

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