Pai de norueguês diz que filho deveria ter se suicidado

Jens Breivik, pai do presumível autor do massacre na Noruega, contou sentir vergonha de ações do filho extremista

iG São Paulo |

O pai do norueguês Anders Behring Breivik, autor presumível do massacre na Noruega , disse que seu filho deveria ter cometido suicídio em vez de realizar uma matança. "O que ele deveria ter feito era se matar em vez de matar tantas pessoas", declarou Jens Breivik ao canal de televisão norueguês TV2, falando em sua residência em Cournanel, no sul da França.

Jens Breivik se encontra sob proteção policial em sua casa no sul da França, onde vive com sua segunda esposa. De acordo com o promotor de Carcassonne, Antoine Leroy, policiais vigiam imediações da residência de Jens Brevik desde domingo, como medida de prevenção.

AP
Jen Breivik, pai de Anders Behring Breivik, em sua casa em Cournanel, no sul da França, depois de conceder entrevista a canal de TV norueguês
"Nenhum elemento nos faz pensar na menor ameaça contra esse homem, mas é algo preventivo. Houve rumores de uma revista da casa, mas isso é totalmente inexato. Não há nenhuma questão judicial em Cournanel", afirmou Leroy.

Breivik disse ter tomado conhecimento do massacre de sexta-feira na Noruega através de sites de notícias. “Eu não podia acreditar no que via. Fiquei totalmente paralisado e não pude entender”, lembrou. “Terei de viver com essa vergonha para o resto da minha vida. As pessoas sempre ligarão ele a mim”.

Ao tabloide sueco Expressen, o pai do extremista norueguês se disse envergonhado e indignado pelas ações de seu filho. “Não se sinto como seu pai”, disse Jens Breivik, que trabalhou como ex-diplomata. “Como ele pode, simplesmente, matar tantas pessoas inocentes e parecer pensar que o que ele fez estava OK? Ele deveria ter tirado sua vida também. É isso o que ele deveria ter feito”.

Comoção

Em entrevista divulgada no domingo pelo jornal norueguês Verdens Gang, Jens Breivik declarou-se comovido com a situação e afirmou que não vê o filho há mais de 15 anos. Ele declarou-se "emocionado" ao ver a fotografia de seu filho na primeira página dos jornais online depois da tragédia.

"Estava lendo as notícias na internet e, de repente, vi seu nome e sua foto. Ainda não consegui me recuperar da comoção", declarou o aposentado. "Estou comovido, é terrível ouvir algo assim", acrescentou.

Divorciado da mulher desde o nascimento do filho, Jens Brevik disse ter perdido o contato em 1995, quando Anders Behring Breivik tinha cerca de 16 anos. "Quando era mais novo, era um menino normal, mas retraído e não se interessava por política", disse ao jornal.

Audiência

Nesta segunda-feira, a polícia norueguesa anunciou que investigará a afirmação feita pelo norueguês extremista de 32 anos de que há mais duas células militantes de sua rede terrorista , segundo Kim Heger, juiz que presidiu a primeira audiência do acusado pelo massacre de sexta-feira em Oslo e na Ilha de Utoya, na Noruega. Em coletiva posterior à audiência, autoridades policiais disseram que Breivik pareceu se contradizer com essa afirmação, já que em depoimento após ser preso afirmou que havia atuado sozinho no duplo atentado .

Na audiência, Breivik rejeitou a responsabilidade criminal pelos ataques argumentando que queria salvar a Noruega e a Europa Ocidental do "marxismo cultural", mesma expressão usada em manifesto de 1,5 mil páginas atribuído a ele e postado na internet horas antes dos ataques. De acordo com o juiz, o acusado justificou suas ações afirmando que o massacre foi necessário para evitar que a Europa seja tomada por muçulmanos.

O norueguês também declarou que seu principal objetivo foi causar a maior perda possível para o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração. Segundo o juiz, Breivik disse que a legenda governista é culpada da "importação em massa" de muçulmanos. "O Partido Trabalhista tinha de pagar um preço por sua traição; muçulmanos estavam aqui para colonizar o país", disse Breivik, citado pelo magistrado. A autoridades norueguesas Breivik disse também que espera passar o resto de sua vida na prisão.

Assista a vídeo:

*Com AP e AFP

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