Por Padraic Halpin e Carmel Crimmins DUBLIN (Reuters) - Um relatório oficial divulgado nesta quarta-feira acusou padres de espancar e violentar crianças durante décadas em instituições católicas na Irlanda. Os supostos responsáveis pelos abusos não foram revelados, no entanto.

Orfanatos e escolas industriais da Irlanda no século 20 eram locais de medo, negligência e abuso sexual endêmico, disse a Comissão de Investigação sobre Abusos às Crianças em um relatório de cinco volumes que levou nove anos para ser concluído.

A Comissão, liderada por um juiz da Alta Corte, denunciou gerações sucessivas de padres, freiras e Irmãos Cristãos -- uma ordem religiosa católica -- por espancar e, em alguns casos, estuprar crianças na extinta rede irlandesa de escolas industriais e reformatórios desde 1930.

"Quando confrontadas com evidências de abuso sexual, a resposta das autoridades religiosas era transferir o ofensor para outro local onde, em várias ocasiões, ele estava livre para abusar de novo", disse o relatório.

"Crianças viveram com o terror diário de não saber onde o próximo espancamento aconteceria", acrescentou o documento.

O relatório criticou severamente o Departamento de Educação da Irlanda por falhar em acabar com os crimes. Em alguns casos quando foi informado sobre o abuso sexual, o órgão "foi conivente com o silêncio", disse o relatório.

Uma ação dos Irmãos Cristãos, a maior provedora de amparo a meninos no país, fez com que a Comissão desistisse da sua intenção original de nomear as pessoas contra as quais as alegações foram feitas.

Nenhum dos acusados de abuso será processado como resultado da investigação.

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