Padre se desculpa por desejar ataque cardíaco a Sarkozy

Arthur Hervet fez a declaração no domingo, ao criticar decisão do governo de deportar centenas de ciganos romenos

iG São Paulo |

O padre Arthur Hervet, da igreja Saint-Martin d'Esquermes de Lille, no norte da França, pediu desculpas nesta segunda-feira por ter dito, no domingo, que rezava para que o presidente Nicolas Sarkozy sofresse um ataque cardíaco.

A declaração foi feita em meio à diversas críticas da Igreja Católica à decisão do governo francês de deportar centenas de ciganos romenos.

Hervet disse que não deseja a morte do presidente, mas sim que "Deus fale ao seu coração".

No domingo, a declaração foi mais forte:  "Eu rezo, com o seu perdão, para que o senhor Sarkozy tenha um ataque cardíaco", disse o padre de 71 anos, acrescentando que está acontecendo uma guerra contra a comunidade cigana.

O padre afirmou ainda que devolveria sua medalha de honra ao mérito nacional ao ministro do Interior, Brice Hortefeux, como protesto.

Papa

Também neste domingo, o papa Bento 16 fez um apelo para que a França revisse a política de repatriação, também muito criticada por outros países. As críticas da Igreja ganharam destaque na imprensa francesa.

"O papa, o arcebispo e um sacerdote, sem papas na língua, disseram nos últimos dias que as medidas coletivas de expulsão de ciganos da França não correspondem ao ideal de fraternidade do cristianismo", afirmou um editorial do jornal "L'Alsace". "A vergonha nacional que constitui a política do governo em relação aos ciganos fez o papa tremer", escreveu o "Courrier Picard".

Nesta segunda-feira, o ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, afirmou que está disposto a receber o presidente da conferência episcopal, cardeal André Vingt-Trois, para "ouvir o que ele tem a dizer" sobre a política de imigração do país.

"Estou disposto a receber - se ele assim o desejar - o presidente da conferência episcopal, cardeal Vingt-Trois, acompanhado por quem quiser", indicou Hortefeux na rádio Europe 1. "Se algumas pessoas querem me ver, eu as receberei com muito gosto para ouvir o que têm para me dizer".

"Escutei com atenção o que disse o papa", afirmou o titular, citando também outras autoridades católicas que comentaram o assunto recentemente. "Se qualquer um quiser me encontrar, estaria feliz em fazê-lo", acrescentou.

"Somos respeitosos dos direitos individuais porque, no caso dos ciganos romenos, os reconduzimos a seu país na base voluntária. Não estigmatizamos uma comunidade", defendeu.

O cardeal Vingt-Trois respondeu rapidamente ao convite do ministro, declarando à AFP que estava "disposto" a reunir-se com Hortefeux "nas próximas semanas".

Polêmica

Na quinta-feira, a França começou a mandar centenas de ciganos de volta à Romênia e à Bulgária, como parte do plano de controle ao crime e à imigração ilegal de Sarkozy.

Grupos de direitos humanos e partidos de oposição condenaram a ação do governo e disseram que a decisão iria estigmatizar ainda mais a comunidade cigana. Cerca de 200 ciganos foram repatriados na quinta e na sexta-feira.

O ministro do Interior francês disse, porém, que o governo seguirá com seu objetivo de desmantelar 300 acampamentos ilegais dentro de três meses e de repatriar 700 ciganos.

Com AFP e Reuters

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