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Padre italiano diz que câmaras de gás serviam para desinfetar judeus

O padre tradicionalista italiano Floriano Abrahamowicz afirmou nesta quinta-feira que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas serviam para desinfetar os judeus, alimentando, assim, a polêmica entre a Santa Sé e a comunidade judia mundial.

AFP |

Em entrevista ao jornal La Tribuna de Treviso, o padre, chefe da região nordeste da Itália da comunidade ultraconservadora fundada por Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X, garante não acreditar que pessoas tenham sido mortas nas câmaras de gás.

"Sei que as câmaras de gás existiram pelo menos para desinfetar, mas não saberia dizer se causaram a morte ou não de pessoas porque não investiguei a fundo o assunto", declarou Abrahamowicz.

Esta entrevista foi concedida depois do escândalo que geraram as declarações antissemitas do bispo integrista inglês Richard Williamson, cuja excomunhão foi suspensa no sábado pelo Papa.

Em uma entrevista à tv sueca, o bispo inglês negou a existência do Holocausto e a morte de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial e assegurou que não existiram câmaras de gás na Alemanha nazista. Além disso, só teriam morrido de 200.000 a 300.000 judeus nos campos de concentração e não seis milhões de judeus.

"Williamson foi imprudente ao se pronunciar sobre assuntos técnicos", admitiu Floriano Abrahamowicz, que reconheceu ter sangue judeu por parte paterna.

"É verdadeiramente impossível para um católico ser antissemita", enfatizou o padre italiano.

"A crítica que se pode fazer sobre a tragédia do Holocausto é a supremacia que se dá sobre os outros genocídios. Se Williamson tivesse negado em suas declarações a tv o genocídio de um milhão e duzentos mil armênios por parte dos turcos, não acho que os jornais teriam dado tanta importância a suas declarações", comentou o religioso italiano.

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