TREVISO - O padre Floriano Abrahamowicz, chefe da comunidade lefebvriana (referência a Marcel Lefebvre, arcebispo francês símbolo da resistência às mudanças feitas pela Igreja nos anos 1960) no noroeste da Itália, afirmou nesta quinta-feira que as câmaras de gás existiram, pelo menos para desinfetar, mas que não pode afirmar que elas provocaram mortes.


Em entrevista ao jornal Tribuna de Treviso, Abrahamowicz afirmou que "toda essa polêmica sobre as declarações do monsenhor Richard Williamson sobre a existência das câmaras de gás é uma poderosa ferramenta anti-Vaticano".

"Williamson simplesmente expressou sua dúvida e sua negação, não do holocausto, como falsamente diz a imprensa, mas do aspecto técnico das câmaras de gás", acrescentou o religioso.

"Se monsenhor Williamson tivesse negado na televisão o genocídio de 1,2 milhão de armênios por parte dos turcos, não acredito que todos os jornais teriam falado de suas declarações do modo como estão fazendo agora", defendeu.

O bispo inglês Richard Williamson, conhecido por negar a existência das câmaras de gás durante a II Guerra Mundial, teve sua excomunhão suspensa recentemente pelo papa Bento XVI, atitude que suscitou críticas da comunidade judaica à Igreja Católica e levaram até a uma especulação de corte de relações entre o Rabinato de Israel e o Vaticano.

O governador da região do Vêneto, Giancarlo Galan, afirmou, por sua vez, que os padres que negam o holocausto deveriam abandonar o hábito. "Não sei se é possível falar de ignorância ou de pura loucura ou de uma aberrante opção política", afirmou, comentando as declarações de Abrahamowicz.

"Os sacerdotes que negam a existência do holocausto, que negam as câmaras de gás, fariam bem em largar o hábito, e alguns destes que se encontram no Vêneto, como é o caso de Abrahamowicz, fariam bem em abandonar este lugar, quem sabe se refugiar em um dos campos de extermínio nazistas", continuou Galan.

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