Pacto militar entre Colômbia e EUA freia avanços na confiança da Unasul

Fernando Arroyo Leão Quito, 15 set (EFE).- O pacto militar entre Colômbia e Estados Unidos, cujos detalhes se desconhecem, freou um avanço na criação de medidas de confiança que aspirava concretizar a União de Nações Sul-americanas (Unasul) na reunião de chanceleres e ministros da Defesa, realizada hoje em Quito.

EFE |

Apesar de se estabeleceram certos acordos que marcam um início no processo de elaboração de uma estratégia comunitária em matéria de Defesa e Segurança, as preocupações pela futura presença de tropas americanas em sete bases colombianas, encobriu o ímpeto inicial da reunião na capital equatoriana.

Os chefes da diplomacia e da defesa dos doze países sul-americanos avaliaram um documento, elaborado pelo Equador (que ocupa a Presidência da Unasul), no qual se estabeleciam linhas gerais para a criação de umas medidas de confiança e segurança comuns para a região.

O próprio chanceler equatoriano e anfitrião da reunião, Fander Falconí, reconheceu que os assuntos discutidos eram difíceis nas atuais circunstâncias, embora destacasse avanços de 70% na análise do documento proposto sobre medidas de confiança.

"Na concretização destas medidas de confiança, existem dificuldades", admitiu Falconí que, no entanto, destacou os esforços para levar adiante uma estratégia de segurança comum.

Destacou os avanços em troca de informação sobre os acordos regionais e extrarregionais em matéria militar e o consenso em conceitos sobre o tema das garantias que devem oferecer à região ditos pactos.

Além disso, pôs em consideração o consenso sobre a "não extraterritorialidade" dos acordos bilaterais de Defesa, ou seja, que estes não afetem vizinhos, embora reconheceu que neste aspecto houve dificuldades quanto às garantias "reais e formais" que oferecem os convênios.

Também lembrou que a Colômbia se negou a mostrar o pacto militar na Unasul ao justificar que ainda deve passar por instâncias internas do país e de seu parceiro (EUA), que também não deu indícios de que irá abrir o conteúdo do convênio para o conhecimento dos sul-americanos.

Falconí disse que a Unasul, por enquanto, não se propôs convidar ao Governo de Washington a uma reunião com a América do Sul, embora não descartou "em algum momento" fazê-lo para "aprofundar" nos detalhes do pacto com a Colômbia.

Para o chanceler equatoriano, a América do Sul deve seguir na briga para criar seus instrumentos de integração, que em matéria de Defesa e Segurança, se sustenta sobre as bases de mecanismos de confiança comunitários.

Por isso, a Presidência da Unasul convocará a uma nova reunião de seu Conselho de Defesa para avançar na discussão que, aparentemente, tomará algum tempo.

Falconí anunciou que a próxima reunião, certamente, se convocará depois que conclua a Assembleia Geral das Nações Unidas, que se efetuará em Nova York na próxima semana.

Para o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, a próxima reunião será um bom espaço para continuar a discussão e à qual todos os membros deveriam acudir com uma atitude "propositiva" para definir todos os temas que são relativos à segurança regional.

E é que para Bermúdez, as medidas de confiança não só podem solver as preocupações de alguns países da região sobre o pacto que seu país adianta com EUA, mas também a preocupação de Bogotá em respeito a compras de armas e pactos com terceiras nações de outros membros da União, como a Venezuela.

"Colômbia tem muito claro que nossos inimigos são o narcotráfico e o terrorismo" e que se necessitam "mecanismos de cooperação e eficácia nesta luta", e por isso que se requeira "medidas de confiança de forma simétrica", para todos os membros de Unasul, sem exceção, afirmou o chanceler colombiano.

Essa apreciação foi replicada pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que assegurou, por sua parte, que todos os países da região, exceto Colômbia, se puseram de acordo em conceitos iniciais da segurança regional. EFE fá/fk

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