Pacote para conter crise gera polêmica no Congresso dos EUA

Dúvidas sobre qual deve ser a velocidade e o alcance do plano de resgate de instituições financeiras proposto pelo governo dos Estados Unidos estão surgindo entre democratas e republicanos no Congresso dos EUA. Entre as polêmicas a respeito do plano está a limitação de salários de diretores das empresas a serem resgatadas e ajuda aos americanos que podem perder suas casas por causa da crise hipotecária.

BBC Brasil |

Entre as polêmicas a respeito do plano está a limitação de salários de diretores das empresas a serem resgatadas e ajuda aos americanos que podem perder suas casas por causa da crise hipotecária.

Parlamentares dos dois partidos dizem que eles precisam de mais tempo para debater as medidas, mas um dos líderes do Partido Democrata afirmou que as discussões estão progredindo.

O democrata Barney Frank, chefe do Comitê para Serviços Financeiros do Congresso, afirmou nesta segunda-feira que os democratas querem algumas alterações no plano do governo. As mudanças propostas incluem a limitação nos salários dos diretores das empresas a serem ajudadas.

"O setor privado entrou nesta confusão e o governo tem que nos tirar dela. Mas queremos que isso seja feito com cuidado", disse Frank.

Candidatos
O candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, se juntou aos congressistas de seu partido e pediu limites nos benefícios pessoais aos banqueiros cujas instituições tenham contribuído para a crise financeira.

Obama também pediu que o pacote do governo ajude proprietários de casas que estejam em risco de perder seus imóveis.

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, também levantou dúvidas sobre o pacote, pedindo uma maior supervisão sobre o secretário do Tesouro, Henry Paulson, que é quem decidirá o destino dos US$ 700 bilhões.

"Nunca antes na História deste país tanto poder e dinheiro ficaram concentrados nas mãos de apenas uma pessoa. Isto me deixa extremamente desconfortável", disse.

Incertezas
Em um comunicado, o presidente George W. Bush afirmou que as conseqüências da demora em agir para corrigir os problemas que geraram a crise podem ser "grandes".

Bush também declarou que o mundo está assistindo ao desenrolar da história para ver "se nós (os EUA) somos capazes de agir rapidamente para ajudar nossos mercados".

Os detalhes do plano de US$ 700 bilhões ainda estão sendo trabalhados pelo Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) e o Tesouro americano.

No último final de semana, o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, se encontraram com membros do Congresso para tentar chegar a um consenso a respeito do pacote.

Todas as incertezas a respeito do plano refletiram nos mercados nesta segunda-feira, com o índice Dow Jones caindo 3,72%, anulando os ganhos da última sexta-feira. Já o Nasdaq caiu 4,17%.

Em São Paulo, a Bovespa acompanhou a tendência de queda e fechou a segunda-feira com baixa de 2,86%.

Apoio do G7
O G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo, disse que a ação do governo dos EUA é bem vinda e reafirma o forte compromisso "em proteger a integridade dos sistema financeiro internacional".

"Nós pedimos o fortalecimento da cooperação internacional para superar os desafios na economia global", disse o G7.

O grupo ainda afirmou estar disposto a fazer o necessário para promover a estabilidade do sistema financeiro internacional.

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