Paco G. Paz.

Washington, 20 jan (EFE).- O Haiti recebeu hoje uma peça vital de ajuda humanitária, o navio-hospital americano "USNS Comfort", dotado de salas de cirurgia e unidades de terapia intensiva, enquanto crescem as vozes que pedem uma iniciativa do porte de um Plano Marshall para o país.

Com 12 salas de cirurgia e mil leitos, quase metade para pacientes em risco de vida, o navio hospital é considerado como uma peça de suma importância no socorro humanitário oferecido pelos Estados Unidos ao Haiti após o terremoto do último dia 12.

Enquanto isso, especialistas e organismos internacionais começaram a levantar a voz para reivindicar um programa de reconstrução do Haiti no médio prazo, similar ao Plano Marshall que os EUA lançaram na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi uma das autoridades a evocarem hoje o nome do Plano Marshall ao pedir um grande esforço internacional para a reconstrução do Haiti.

Para que o Haiti se recupere, "precisa de algo grande", destacou Strauss-Kahn em uma entrevista à "IMF Survey Magazine", uma publicação da entidade.

Segundo o diretor-gerente, a ajuda concedida "de maneira pouco sistemática" não é suficiente, e o que é necessário é "uma espécie de Plano Marshall".

O assunto será discutido no próximo dia 25 durante uma reunião internacional em Montreal (Canadá) com a presença do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive.

Quem também se referiu a esta ideia foi Paul Collier, professor da Universidade de Oxford, especialista em desenvolvimento e a quem o Departamento de Estado americano recorreu no passado em busca de assessoria sobre o Haiti.

Em artigo publicado há poucos dias, Collier explica que só um plano de reconstrução coordenado, como um Plano Marshall, permitiria que o país saísse da "espiral de desastre" e daria "esperança real à juventude".

Hoje, em um encontro com a imprensa, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reconheceu o "respeito" que Collier merece e deu seu apoio à ideia de lançar "um esforço de reconstrução e desenvolvimento coordenado", assunto que será abordado em Montreal.

No entanto, reconheceu que já existem "algumas boas ideias" e citou a experiência de reconstrução do sul da Ásia após o tsunami de 2004, na qual a ONU e o ex-presidente americano Bill Clinton tiveram envolvimento direto.

Por enquanto, os EUA continuam dedicados ao atendimento imediato.

O país seguiu hoje com o desdobramento de fuzileiros navais em território haitiano para garantir a segurança na distribuição de ajuda humanitária.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, ordenou hoje o envio de uma embarcação especializada em limpeza de portos para facilitar a abertura de novas vias de entrada para a ajuda humanitária.

Enquanto isso, a esperança de vida dos feridos mais graves no Haiti mudou completamente com a chegada do "USNS Comfort". Mal o navio-hospital havia atracado, já tinha recebido de helicóptero dois pacientes muito graves que precisavam ser internados em unidades de terapia intensiva.

Pelo Twitter, médicos do "Comfort" diziam estar ansiosos para prestarem socorro ao Haiti.

"Temos ouvido que nossos pacientes já estão a caminho. A tripulação esta preparada. Cada um está em seu posto pronto para dar o melhor atendimento possível ao Haiti", comentava a tripulação.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado hoje que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE pgp/bba

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