Pacientes crônicos e grávidas têm risco maior com gripe, diz OMS

GENEBRA (Reuters) - A nova gripe H1N1 representa um risco maior às pessoas com doenças crônicas e a grávidas e os especialistas temem que a doença poderá ganhar novo impulso se ela começar a ser disseminada por meio de dejetos humanos ou se combinar com outros vírus, disse a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, na segunda-feira. O mundo de hoje é mais vulnerável aos efeitos adversos de uma pandemia de influenza do que o era em 1968, quando começou a última pandemia do século passado, afirmou Chan.

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A maioria dos pacientes com problemas crônicos subjacentes, como doença coronariana ou diabete - mais vulneráveis ao novo vírus H1N1 --, mora no mundo em desenvolvimento, disse Chan em seu principal discurso à assembleia anual de ministros da OMS.

O fardo global das doenças crônicas mudou-se drasticamente dos países ricos para os pobres nos últimos anos, afirmou ela. Cerca de 85 por cento de todos os casos e mortes decorrentes desses males concentram-se em países de renda baixa e média.

"As implicações são óbvias. O mundo em desenvolvimento tem de longe a maior quantidade de pessoas sob risco aumentado para as infecções do H1N1 graves e fatais", declarou Chan.

O novo vírus - uma combinação genética de vírus suíno, aviário e humano - infectou oficialmente 8.829 pessoas em 40 países, matando 74 pessoas, de acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Por outro lado, o vírus H5N1 de gripe aviária está firmemente entrincheirado nas aves em diversos países, principalmente no sudeste da Ásia. "Ninguém pode dizer como esse vírus aviário vai se comportar quando for pressionado por um grande número de pessoas infectadas pelo novo vírus H1N1", disse ela.

Se o novo vírus H1N1 de gripe suína for capaz de se projetar pelas fezes, haverá uma via de transmissão adicional, em especial nos países em desenvolvimento, de acordo com a diretora-geral da OMS.

Os moradores de favelas apinhadas de pessoas com um sistema de saneamento básico precário poderão enfrentar um risco adicional, disse ela.

Tanto o vírus da cólera como o da pólio, que fizeram muitas vítimas nos países em desenvolvimento, são disseminados por um sistema precário de saneamento e esgoto.

Milhões de pessoas já dependem de drogas para sobreviver com o HIV/Aids e formas ressurgentes de tuberculose, disse Chan. "A maioria dessas pessoas vive em países nos quais os sistemas de saúde pública já estão sobrecarregados, contam com menos funcionários que o necessário e com fundos insuficientes", afirmou ela.

Chan disse que as grávidas pareciam estar sob risco aumentado para as infecções graves ou fatais do H1N1, apresentando o risco de a nova cepa aumentar os níveis já inaceitáveis de mortalidade materna, os quais são relacionados aos sistemas de saúde precários.

A situação deverá piorar à medida que a crise financeira leva mais pessoas a deixarem os planos de saúde privados e voltarem-se aos sistemas de financiamento público, de acordo com Chan, que já foi secretária de Saúde em Hong Kong.

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