Paciente recebe primeiro transplante com células-tronco próprias

Uma jovem mãe colombiana de 30 anos e com problemas respiratórios, Claudia Castillo, foi submetida na Espanha ao primeiro transplante de traquéia sem a necessidade de medicação imunossupressora e com a utilização de suas próprias células-tronco.

AFP |

O trasplante, realizado em 12 de junho de 2008 em Barcelona, fazendo uso da traquéia de uma doadora e no uso de células-tronco provenientes da própria paciente, é descrita na revista médica britânica The Lancet pelas equipes de Barcelona, Padua e Milão (Itália) e da Universidade de Bristol (Grã-Bretanha).

Depois de passar quatro anos em consultas, Claudia Castillo, vítima de uma tuberculose diagnosticada muito tarde, conseguiu solucionar desta maneira seus problemas respiratórios.

Ela não conseguia cuidar dos filhos nem realizar as tarefas domésticas. Os danos em seu brônquio principal esquerdo eram tão graves que só restava à paciente a opção clássica da ablação do pulmão esquerdo.

Para evitar esta a operação mutilante e arriscada, o professor Paolo Macchiarini, especialista em cirurgia torácica no Hospital Clínico de Barcelona, e seus colegas decidiram tentar, com o aval dos comitês de ética envoluidos, este trasplante novo.

Sete centímetros de traquéia de uma mulher de 51 anos, falecida por causa de uma hemorragia cerebral, foram limpos previamente de todas as células, com o objetivo de evitar rejeição, uma vez trasplantados.

Em seguida foram extraídas da paciente colombiana células-tronco de medula óssea: células mesênquima capazes de gerar células de cartilagens ("condrócitos"). Também foram tiradas outras células (epiteliais) em uma parte saudável de sua traquéia.

A traquéia da doadora foi colocada em um aparelho, um "biorreator" concebido especialmente, onde girava com as células da paciente. Desta forma, o órgão foi colonizado pelas células da futura receptora. Isso permitiu evitar o tratamento vitalício contra a rejeição do órgão implantado.

Dez dias depois do transplante, Claudia recebeu alta do hospital. Desde então, ela passa bem e agora é capaz de subir dois andares ou caminhar 500 metros sem parar e, o que é mais importante para ela, cuidar dos filhos, segundo os médicos.

"Ela está encantada de poder voltar a viver sua vida e feliz de ter se curado", afirma a publicação.

Esta inovação médica pode ser aplicada a outras doenças das vias respiratórias superiores (deformação congênita, alguns tumores) que não podem ser tratadas com a cirurgia clássica, segundo a Universidade de Barcelona.

Agora, para que a avaliação dos resultados seja mais confiável, parece necessário um acompanhamento médico em períodos mais longo, segundo os médicos japoneses Toshihiko Sato e Tatsuo Nakamura, da Universidade de Kioto, citados pela The Lancet.

O primeiro transplante de traquéia com doador foi descrito na mesma revista em 1979.

BC/fp

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