Washington, 13 nov (EFE).- A crise financeira atingirá fortemente milhões de pobres no mundo se os líderes reunidos na cúpula do G20 este fim de semana não iniciarem um plano de combate à pobreza, disse hoje a ONG internacional Oxfam.

"Os pobres tiveram pouco a ver com a criação da crise, mas são os que carregarão com a pior parte, sejam famílias despejadas de seus lares em Detroit ou crianças morrendo em Mali por falta de cuidado médico", disse Gawain Kripke, porta-voz da entidade.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o número de trabalhadores que subsistem com menos de US$ 1 por dia poderia aumentar em 40 milhões, e o daqueles que vivem com menos US$ 2 diários poderia subir em mais de 100 milhões.

Esse cenário se somaria à já precária situação dos países pobres afetados pela alta nos preços de petróleo e dos alimentos, a seca e outros fenômenos naturais.

Somente o aumento nos preços dos grãos representou um custo de US$ 324 bilhões para os países pobres no ano passado, mais que o triplo do que recebem em assistência, segundo o grupo.

O porta-voz da agência expressou o temor de que os líderes dos países ricos, que tentam afastar a ameaça da recessão, sejam tentados a cortar essa ajuda internacional, o que seria, em sua opinião, uma resposta "míope".

Essa "economia" dos países ricos -sua ajuda externa foi de US$ 104 bilhões em 2007- teria "um grande custo humano" nos países em vias de desenvolvimento, advertiu Kripke.

O montante dessa ajuda externa é ínfimo se comparado aos cerca de US$ 3 trilhões que os Estados Unidos e a União Européia mobilizaram para "resgatar seus bancos", ou seja, um número 30 vezes superior ao que dão aos países pobres.

Assim, a Oxfam divulgou hoje um relatório de 13 páginas intitulado "Se não agora, quando?", no qual pede que os líderes do mundo reunidos em Washington neste fim de semana elaborem imediatamente um novo sistema de regulação internacional para evitar mais crises no futuro.

Concretamente, o grupo pede que os líderes do G20 continuem com a assistência para o desenvolvimento, inclusive aumentando esses fundos em US$ 140 bilhões.

Além disso, pediu que estendam créditos aos mercados emergentes que enfrentam crise de liquidez e combatem os paraísos fiscais que "solapam as regulações e extraem dos países pobres receita vital que poderia se investir em escolas e hospitais".

O relatório também recomenda a criação de uma nova estrutura global sobre governabilidade, para responder às crises econômica, climática, alimentícia e energética.

A idéia é de que um novo sistema de regulação internacional inclua em seus objetivos a proteção dos interesses dos trabalhadores, consumidores e o meio ambiente, indicou o relatório.

O presidente de EUA, George W. Bush, receberá a partir de amanhã os chefes de Estado que participarão da cúpula do G20 para analisar a situação do sistema financeiro mundial.

A urgência é grande, mas as expectativas, poucas. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, deixou entrever que a cúpula financeira provavelmente não alcance grandes resultados, por mais que sirva para definir as bases de reuniões futuras. EFE mp/jp

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