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Oxente! Deu Baiana no Times

Fernanda é inteligente, bonita e merece o título que vai entrar para a história do nosso jornalismo: primeira repórter brasileira - ou brasileiro - a conquistar um emprego no mais influente jornal do mundo. Oxi!, como ela e o marido americano costumam abreviar, com frequência, o oxente.

BBC Brasil |

Fernanda Santos acabou de voltar de férias da Bahia e está imersa na campanha eleitoral para prefeito, o quintal dela na editoria metropolitana.

A área de cobertura da Fernanda é mais abrangente - mas, antes de chegar à prefeitura, um pouco mais sobre Fernanda, que saiu de Salvador para o Rio com a família quando tinha 11 anos, ganhou apelido de "Baiana", estudou comunicação social na PUC e fez um mestrado sobre imprensa na Universidade de Boston.

Antes de ser contratada pelo "Times", passou por dois jornais menores em Massachusetts, onde um obituário escrito por ela sobre uma jornalista suicida chamou a atenção dos editores do tablóide novaiorquino "Daily News". Foi contratada, mas queria espaço para matérias mais longas e mais profundas.

Dos mais de mil empregados da redação do "Times", ela é a única brasileira, bem como a única contratada com mais de 30 anos vinda de um país onde a língua materna não é o inglês.

Num divertido perfil escrito por Tania Menai para a revista Piauí, Fernanda admite a dificuldade no uso de in e on que também sempre me derrubou. A gramática da Fernanda é muito melhor que a da maioria dos americanos.

Vamos ao prefeito. Quando pergunto a ela o que acha de Michael Bloomberg, ela responde com um chavão. "É segredo. Aprendi no "Times" que repórteres não são pagos para achar e sim para informar ao leitor o que está acontecendo, para que ele forme sua opinião." Ora, dona Fernanda!
Logo depois de dizer isto ela acha que "o prefeito melhorou a cidade em especial alguns bairros mais pobres, como o Harlem, onde hoje moram colegas jornalistas do "New York Times". Melhorou as escolas, a coleta do lixo".

A rigor, ela está correta. Não são achismos. A cidade melhorou muito com Bloomberg, que tem duas metas quase impossíveis para o controvertido terceiro mandato: melhorar as escolas de Nova York tanto que elas sejam capazes de atrair a classe média de outros Estados, e reduzir o já reduzido crime pela metade.

O prefeito é simpático, educado e trata a Fernanda com cortesia - mas não dá entrevistas exclusivas. "Levei um mês para convencer a sua assessoria de imprensa a me permitir assistir a uma aula de espanhol dele para escrever uma matéria sobre a interessante relação entre ele, o multibilionário, e um imigrante colombiano que lhe ensina espanhol. Ele me ligou e falamos por dez minutos. Foi uma das poucas vezes que tive uma "exclusive" com ele. Ele acha que a imprensa está sempre tentando atacá-lo e tem uma assessoria fiel e protetora."
Para penetrar o cerco, Fernanda foi assistir à filha dele competir numa prova de hipismo. "Apareci de surpresa e disse a ele que não estava lá para fazer matéria política, mas para escrever sobre o pai dele." Acabaram tirando uma foto do prefeito sorrindo para uma repórter, uma raridade. Agora, ela vai levar a filha Flora para outra foto com o homem mais rico da cidade.

E mais poderoso. Em oito anos, o executivo que veio de fora do círculo político eliminou seus adversários mais perigosos na base da sedução, ou, com mais frequência, dos dólares. A fortuna dele está na casa dos US$ 16 bilhões, quatro vezes mais do que o déficit da cidade.

Desde a década de 60, a cobertura do "Times" no Brasil teve alguns dos melhores correspondentes do jornal e, se não me engano, pelo menos três deles foram ou estão casados com brasileiras. Mas as afinidades pessoais com o Brasil não têm impedido o senso crítico. Larry Rother quase foi banido quando escreveu no New York Times sobre as afinidades do presidente Lula com o álcool. E, talvez por causa dele, o presidente tenha ficado mais sóbrio. Ou mais discreto.

No curto prazo, o foco de Fernanda é a eleição. Mas o sonho dela é ser a primeira correspondente brasileira do "Times" no Brasil. Está apenas há quatro anos no jornal mas, oxente!, aposto na baiana.

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